quarta-feira, março 25, 2026
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Europa e Japão dispostos a garantir a reabertura do Estreito de Ormuz

Os governos de França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão divulgaram nesta quinta-feira (19) uma declaração conjunta anunciando disposição para participar de esforços que permitam reabrir o Estreito de Ormuz, atualmente fechado pelo Irã desde o início da guerra.

O comunicado não trouxe detalhes sobre as medidas concretas para restabelecer a passagem. A divulgação ocorre quatro dias após a recusa de países europeus e do Japão em integrar iniciativas dos Estados Unidos e de Israel voltadas para a liberação do estreito, atitude que provocou reação por parte do presidente norte-americano.

O bloqueio imposto pelo Irã afeta cerca de 20% do petróleo que segue por via marítima, pressão que tem provocado volatilidade nos mercados e aumento do preço do barril, com impactos econômicos globais.

Na nota conjunta, as nações condenaram os ataques recentes atribuídos ao Irã contra embarcações no Golfo e ofensivas contra infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás. Pediram o fim imediato de ações como lançamento de minas, ataques com drones e mísseis e tentativas de impedir a navegação comercial.

Os signatários também reafirmaram que a liberdade de navegação constitui princípio do direito internacional e alertaram para os efeitos das ações do Irã sobre populações em diferentes regiões, especialmente as mais vulneráveis.

Contexto do fechamento

O Irã fechou o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel iniciados em 28 de fevereiro. Teerã informou que a passagem permanece vedada a EUA, Israel e seus aliados, incluindo as potências europeias. Segundo relatos, as principais potências da Europa têm dado apoio político às ações contra o Irã, com exceção da Espanha, que condena a guerra.

Na quarta-feira (18), a guerra se intensificou depois de um ataque israelense ao campo de gás South Pars, no Irã, que desencadeou retaliações contra instalações do setor de energia no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. As ofensivas contra infraestrutura de produtores-chave de petróleo e gás ampliaram as incertezas econômicas associadas ao conflito.

Histórico das ofensivas

Desde junho de 2025, Estados Unidos e Israel realizaram novas operações contra o Irã em meio a negociações sobre o programa nuclear e balístico persa. A mais recente ofensiva começou em 28 de fevereiro, com bombardeios em Teerã que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e de outras autoridades. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi indicado como sucessor.

Em resposta, o Irã lançou mísseis contra países árabes do Golfo com presença militar norte-americana, entre eles Kuwait, Catar, Emirados Árabes e Jordânia.

Na esfera diplomática, os Estados Unidos haviam se retirado, no primeiro governo de Donald Trump, do acordo nuclear de 2015 que previa inspeções internacionais ao programa iraniano. Washington e Tel Aviv acusam Teerã de buscar armamento nuclear; o Irã sustenta que seu programa tem fins pacíficos e se dizia aberto a inspeções. Israel, por sua vez, é amplamente apontado como detentor de armas nucleares, mas não submeteu seu programa a inspeções internacionais.

Ao assumir um segundo mandato em 2025, o governo norte-americano ampliou a pressão sobre Teerã, exigindo o desmantelamento do programa nuclear, o fim do desenvolvimento de mísseis balísticos de longo alcance e a cessação do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah.

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