A Polícia Civil de São Paulo prendeu preventivamente, nesta quarta-feira (18), o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Neto, em São José dos Campos. Ele é investigado pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro. O militar foi indiciado por feminicídio e por fraude processual.
As autoridades descartaram a hipótese de suicídio e tratam o caso como crime violento ocorrido em contexto de emoção momentânea, sem indícios de premeditação. O inquérito confrontou o relato prestado pelo tenente-coronel e concluiu que a versão apresentada não se manteve.
A investigação segue em andamento, com parte das apurações tramitando em segredo de justiça. No início das diligências, quando o caso foi tratado como suicídio, o local chegou a ser limpo por policiais militares após liberação da perícia.
O desembargador Marco Antônio Pinheiro esteve no local no dia do crime na condição de amigo do tenente-coronel; a apuração não identificou ingerência de sua parte.
O laudo do Instituto Médico Legal registrou marcas recentes no pescoço compatíveis com pressão digital praticada por outra pessoa. As autoridades também informaram que a vítima não apresentava sinais de consumo de entorpecentes ou álcool, nem estava grávida. Apesar das lesões por pressão digital, não foram observados sinais de asfixia.
O Ministério Público de São Paulo tornou Geraldo Leite Neto réu. A denúncia atribui a ele feminicídio qualificado — por ter ocorrido no âmbito de violência doméstica e por circunstâncias agravantes, como motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima — e o crime de fraude processual, pela suposta alteração da cena para induzir a investigação ao erro.



