O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a retórica contra Cuba no momento em que os dois países iniciaram conversas destinadas a melhorar relações historicamente tensas.
Autoridades norte-americanas teriam sinalizado, segundo reportagem do New York Times que citou quatro fontes, que a saída do presidente cubano Miguel Díaz-Canel está entre os objetivos das negociações, embora os próximos passos fiquem a cargo de Havana. Tradicionalmente, o governo cubano rejeita qualquer interferência em seus assuntos internos, condição que complica eventuais acordos.
Miguel Díaz-Canel, 65 anos, assumiu a presidência em 2018, sucedendo Fidel e Raúl Castro.
Nas últimas semanas, a administração dos EUA ampliou medidas de pressão sobre a ilha, interrompendo remessas de petróleo provenientes da Venezuela e anunciando sanções e tarifas contra países que vendam combustível a Cuba. O governo cubano afirma não receber carregamentos de petróleo há cerca de três meses, o que levou a racionamentos severos de energia e paralisação de grande parte da atividade econômica.
Na segunda-feira, a rede elétrica cubana entrou em colapso, deixando sem energia os cerca de 10 milhões de habitantes do país.
Ao mesmo tempo, a Casa Branca ainda não apresentou justificativa legal detalhada para qualquer possível intervenção em território cubano. Historicamente, embora sucessivos presidentes dos EUA tenham se oposto ao regime comunista e criticado seu histórico de direitos humanos, Washington manteve a promessa de não invadir Cuba após o acordo com a União Soviética que encerrou a crise dos mísseis de 1962.
Reportagem adicional por Ryan Patrick Jones, Toronto.



