quarta-feira, março 25, 2026
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Líder do Irã promete vingança e ameaça manter o Estreito de Ormuz fechado

No primeiro pronunciamento público desde sua eleição como Líder Supremo do Irã, nesta quinta-feira (12), o aiatolá Mojtaba Khamenei anunciou intenção de retaliar pela morte de cidadãos iranianos atribuída a ataques de Israel e dos Estados Unidos. Ele também declarou que continuará a mirar bases militares inimigas na região do Oriente Médio e manterá a possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz.

Mojtaba Khamenei assumiu o posto após o assassinato de seu pai, Ali Khamenei, em um bombardeio no primeiro dia da guerra. Na sequência dos ataques, o novo líder afirmou que buscará reparações econômicas pelos prejuízos sofridos e que, caso não obtenha indenização, poderá confiscar ou destruir bens do inimigo conforme entender apropriado.

O governo iraniano mantém apoio a grupos do chamado Eixo da Resistência, como Hamas e Hezbollah, política que Teerã aponta como central às suas convicções revolucionárias e que foi citada entre os motivos para as ofensivas de Israel e dos EUA contra o país.

O fechamento do Estreito de Ormuz — corredor pelo qual passa cerca de 25% do petróleo mundial — vem afetando os mercados globais e levando países a liberar estoques de emergência. O novo líder afirmou que a ferramenta do bloqueio continuará disponível como alavanca estratégica.

Em relação aos países vizinhos, Mojtaba Khamenei declarou disposição de manter relações cordiais e construtivas com as 15 nações que fazem fronteira terrestre ou marítima com o Irã. Ao mesmo tempo, ressaltou que bases nesses países foram utilizadas para atacar o Irã e que, a partir de agora, serão alvos dessas instalações, sem intenção de agredir as nações anfitriãs.

Na quarta-feira (11), o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução apresentada pelo Bahrein pedindo que Teerã cesse retaliações contra países árabes da região. A proposta recebeu abstenções da China e da Rússia.

O novo Líder Supremo também pediu que os países que hospedam bases dos Estados Unidos esclareçam sua posição em relação aos atacantes do Irã e recomendou o fechamento dessas instalações.

No plano interno, Mojtaba Khamenei pediu unidade entre os diversos estratos da sociedade iraniana diante do conflito e prestou homenagem aos combatentes que atuaram na defesa do país. Ele informou ter tomado conhecimento de sua nomeação pela imprensa iraniana.

Além do pai, o aiatolá perdeu membros da família nos ataques: a esposa, uma irmã, um sobrinho e um cunhado, conforme relatos oficiais.

Contexto institucional: o chefe supremo do Irã é escolhido pela Assembleia dos Especialistas, formada por 88 clérigos eleitos pelo voto popular. O cargo é vitalício, mas a Constituição prevê a destituição pelo mesmo órgão. Ali Khamenei ocupava a posição havia 36 anos e exercia influência sobre a estrutura de poder do país, que inclui Executivo, Parlamento, Judiciário e o Conselho dos Guardiães. As Forças Armadas respondem diretamente ao Líder Supremo.

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