quinta-feira, março 26, 2026
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Pesquisa da UFMG indica que a Floresta Amazônica está mais resistente à seca

Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indica que a Floresta Amazônica vem se tornando progressivamente mais resistente à seca, em uma adaptação lenta às temperaturas mais altas e à redução de água disponível.

O estudo analisou 40 anos de imagens de satélite e observações de campo de mais de 3 mil árvores, abrangendo os nove países da bacia amazônica. O trabalho, liderado por Milton Barbosa (UFMG) em parceria com a Universidade de Oxford, foi publicado este mês em revista científica internacional.

Entre as descobertas está a redução em cerca de um terço da variabilidade da luz refletida pelas copas durante as estações secas desde a década de 1980. Os pesquisadores interpretam essa mudança como indicativo de folhas mais rígidas e duras, características típicas de vegetação adaptada a ambientes mais secos, como o Cerrado. Essa transformação implica, segundo o estudo, menor manutenção da biodiversidade original da floresta.

O relatório também projeta que, se o ritmo atual persistir, o sudeste da Amazônia poderá atingir, em três a quatro décadas, níveis de estabilidade semelhantes aos das zonas de transição com o Cerrado.

Os autores destacam que essas alterações ocorrem dentro de trechos de floresta aparentemente intactos, ou seja, trata-se de perda de resiliência mesmo onde não há desmatamento visível por corte.

Como medidas preventivas, os pesquisadores recomendam planejamento integrado do uso do solo para evitar expansão desordenada, reforço do monitoramento por satélite e de sistemas de alerta precoce com indicadores de estresse da vegetação, além de incentivo a práticas agropecuárias de baixo impacto e mais resilientes ao clima, com melhor gestão do solo e da água.

Com produção de Salete Sobreira.

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