O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) registrou 129 profissionais de imprensa mortos no exercício da profissão ao longo do ano passado, segundo relatório divulgado nesta semana. É o maior total documentado pela ONG desde que começou esses registros, há mais de três décadas.
A organização, sediada em Nova York, informa que dois terços dessas mortes — 86 — foram atribuídas às Forças de Defesa de Israel. Do total de 129 assassinatos, 104 ocorreram em contextos de conflito armado.
Cinco países concentraram 84% das mortes: Israel (86), Sudão (9), México (6), Rússia (4) e Filipinas (3). A maioria das vítimas envolve jornalistas palestinos.
O CPJ aponta a impunidade como um fator central para a alta nos assassinatos de profissionais de imprensa e ressalta que os assassinatos violam o direito internacional humanitário, que classifica jornalistas como civis e veda ataques deliberados contra eles.
Casos destacados no relatório incluem o correspondente palestino Hossam Shabat, de 23 anos, da Al Jazeera, morto em março de 2025 em um ataque contra seu carro próximo ao hospital Beit Lahia, no norte de Gaza. A nota do CPJ informa que Israel acusou Shabat de pertencer a um grupo armado, sem apresentar evidências públicas dessas alegações.
O relatório também registra a morte do repórter Anas al-Sharif, da Al Jazeera, assassinado em agosto de 2025. Na ocasião, quatro jornalistas da emissora e dois freelancers foram mortos em um ataque a uma tenda utilizada por profissionais de imprensa nas imediações do Hospital Al-Shifa.
Além dos conflitos armados, o CPJ relaciona o fraco estado de direito, a atuação de facções criminosas e a corrupção política como fatores que contribuíram para mortes de jornalistas em países como Bangladesh, Colômbia, Guatemala, Honduras, Índia, México, Nepal, Peru, Filipinas, Paquistão e Arábia Saudita. A ONG destaca padrões persistentes: pelo menos um jornalista é morto no México e na Índia anualmente na última década, e em Bangladesh, Colômbia e por Israel pelo menos um caso é registrado a cada ano nos últimos cinco anos.
O relatório chama a atenção para o aumento de ataques com uso de drones. O número de mortes por drones passou de duas em 2023 para 39 em 2025. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, ambas as partes têm empregado drones para ataques e vigilância. Em 2025, segundo o CPJ, a Rússia intensificou ações com drones e os quatro jornalistas mortos na Ucrânia naquele ano foram atingidos por esses dispositivos. Foi o primeiro ano em que o Comitê documentou mortes de profissionais de imprensa por drones no contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Com informações da RTP.



