sábado, março 28, 2026
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Ponte Internacional da Rota Bioceânica entra em fase final; “beijo” entre os lados previsto para maio de 2026

A Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que ligará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (Paraguai), entrou na fase final de montagem da estrutura que conecta os dois países. A travessia terá 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura; faltam cerca de 101 metros para o fechamento total do tabuleiro.

A aduela de fechamento — elemento final que une as lajes — está prevista para conclusão no final de maio, segundo os responsáveis pela obra. Atualmente, a construção emprega cerca de 280 trabalhadores, brasileiros e paraguaios.

Após a colocação da última aduela serão executados serviços complementares, entre eles a instalação de cabos de aço embutidos na laje de concreto do piso para unir os lados brasileiro e paraguaio. Está previsto também o retencionamento dos 168 estais que sustentam o vão central e a instalação de 168 amortecedores para esses cabos.

Os dois pilares principais e os cabos receberão sensores eletrônicos capazes de monitorar cargas em tempo real, enviando dados a computadores para acompanhamento dos esforços da ponte durante a circulação de veículos ou na ocorrência de eventos estruturais.

Outras intervenções programadas incluem iluminação fluvial para garantir o tráfego seguro de embarcações no Rio Paraguai, acabamento do piso e colocação de grades de proteção para pedestres e ciclistas. A ponte contará com ciclovia. Em etapas posteriores serão feitos asfaltamento, pintura, sinalização e iluminação ornamental. A entrega total da obra está prevista para agosto de 2026.

A estrutura estaiada é considerada estratégica para consolidar o Corredor Rodoviário de Capricórnio, a chamada Rota Bioceânica, que liga os portos do norte do Chile — Antofagasta e Iquique — ao Paraguai e à Argentina, conectando-se a portos brasileiros como o de Porto Murtinho e, futuramente, a outros da costa atlântica.

A previsão é que o corredor reduza em mais de 9,7 mil quilômetros a distância das rotas marítimas de exportação brasileiras, especialmente as originadas no Sudeste e no Centro-Oeste rumo à Ásia. Em viagens para a China, a estimativa aponta para uma redução de cerca de 23% no tempo de transporte, o equivalente a 12 a 17 dias a menos.

Além da ponte e de seus acessos, estão previstas instalações alfandegárias integradas em ambos os lados da fronteira. A Receita Federal estima um fluxo inicial de cerca de 250 caminhões por dia, com potencial de aumento conforme a rota se consolide como alternativa logística para o Mercosul e o comércio com a Ásia.

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