sábado, março 28, 2026
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Estudo aponta impacto de vídeos curtos no desenvolvimento infantil

Duas pesquisadoras da Universidade de Macau concluíram que o consumo de vídeos curtos em formato de “scrolling” por celular tem efeitos negativos sobre o desenvolvimento cognitivo de crianças, com impacto na atenção, maior propensão à ansiedade social e sensação de insegurança.

O estudo intitulado Dependência de vídeos curtos, envolvimento escolar e inclusão social entre estudantes rurais chineses, assinado por Wang Wei, aponta uma correlação direta entre o tempo dedicado a esse tipo de conteúdo e a redução do envolvimento escolar dos alunos.

Outra pesquisa da mesma universidade, A relação das componentes afetivas e cognitivas no uso problemático de vídeos curtos, de Anise Wu Man Sze, associa o consumo excessivo desses vídeos à superestimulação das crianças, o que prejudicaria o desenvolvimento cognitivo saudável.

Ambos os trabalhos destacam fatores que favorecem o uso compulsivo: algoritmos personalizados e funções de interação social das plataformas que atendem, de forma imediata e contínua, necessidades psicológicas que deveriam ser satisfeitas fora do ambiente digital. A natureza rápida e altamente estimulante dos vídeos, aliada ao acesso gratuito e permanente, facilita o consumo em qualquer lugar e a qualquer hora.

Os estudos também identificam causas multifatoriais para a dependência, incluindo stress cotidiano, contexto ambiental e predisposição genética. Em muitos casos, o uso compulsivo aparece como estratégia para escapar de situações desagradáveis ou de pressões diárias.

Entre os efeitos práticos observados, os pesquisadores apontam o risco de comprometimento do sono, redução do tempo em família e uso inadequado durante atividades como aulas. Por isso, defendem intervenções centradas na satisfação das necessidades emocionais das crianças, no desenvolvimento de competências digitais e de autorregulação, em vez de medidas paliativas como a simples retirada dos aparelhos.

Dados oficiais chineses mostram a dimensão do fenômeno: até dezembro de 2024, cerca de 1,1 bilhão de pessoas tinham acesso a vídeos curtos na China, sendo 98,4% usuários ativos, segundo o Relatório Anual sobre o Desenvolvimento dos Serviços Audiovisuais na Internet. A indústria relacionada ultrapassou 1,22 trilhões de yuan (aproximadamente 149 bilhões de euros), impulsionada por vídeos curtos e transmissões ao vivo. O documento também registra crescimento acelerado de microsséries e influência crescente da inteligência artificial generativa no ecossistema de conteúdos.

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