sexta-feira, março 27, 2026
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Mato Grosso do Sul avança na recuperação de pastagens com políticas públicas, crédito e tecnologias

Recuperação de pastagens em Mato Grosso do Sul avança impulsionada por políticas públicas, crédito e tecnologias

Mato Grosso do Sul tem registrado progressos na recuperação de pastagens degradadas e na transição para uma agropecuária mais produtiva e sustentável. Em 2023, o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD) estimou em cerca de 4,7 milhões de hectares as áreas degradadas passíveis de recuperação no estado.

A degradação está historicamente ligada à expansão da pecuária extensiva, caracterizada por baixa taxa de lotação, manejo inadequado e pouca reposição de nutrientes, agravada por solos arenosos e longos períodos de estiagem.

Relatório da Coordenadoria de Agricultura da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com base em dados do MapBiomas, aponta redução importante das áreas de pastagens com baixo vigor — de 6,2 milhões de hectares em 2010 para 2,9 milhões em 2024, queda de aproximadamente 52%.

A queda no indicador de baixo vigor é associada à adoção de novas tecnologias, práticas de conservação do solo e sistemas produtivos mais sustentáveis. A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) já ocupa mais de 3,6 milhões de hectares em Mato Grosso do Sul, contribuindo para a recuperação e intensificação das áreas produtivas.

Parte das áreas mapeadas como pastagem está localizada no Pantanal, em campos nativos inseridos em zonas de uso restrito e protegidas pela legislação ambiental, que não são passíveis de conversão. Os índices de vegetação usados nas análises por satélite também podem sofrer variações devido à sazonalidade, sobretudo em períodos de seca, o que influencia a interpretação do vigor das pastagens.

Financiamento e programas estaduais
O Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) destinou, no ano passado, mais de R$ 500 milhões a projetos de correção do solo e recuperação de pastagens na modalidade FCO Rural. Desse montante, mais de R$ 180 milhões foram aplicados em 93 cartas-consulta para reforma de pastagens e quase R$ 400 milhões em 170 projetos voltados à correção do solo.

No âmbito estadual, iniciativas como o Plano Estadual de Manejo e Conservação de Solo e Água (Prosolo) promovem práticas conservacionistas, recuperação da fertilidade, restauração de áreas erodidas e adequação de estradas vicinais em parceria com prefeituras e produtores.

O programa Precoce MS estimula a produção de carne bovina de maior qualidade por meio de bonificações a produtores que adotam manejo sustentável de pastagens, diversificação de forrageiras, reposição de nutrientes e análise de fertilidade do solo.

O Programa Estadual de Irrigação (MS Irriga) incentiva o uso racional da água e tecnologias de irrigação sustentáveis, ampliando possibilidades de recuperação e intensificação agrícola. O Plano Estadual ABC+ estimula práticas como ILPF, plantio direto, uso de bioinsumos, manejo de resíduos e intensificação sustentável da pecuária, com foco na redução de emissões de gases de efeito estufa.

Mato Grosso do Sul destaca-se, assim, como referência nacional na adoção de sistemas de integração produtiva, com ganho de produtividade e atenção à sustentabilidade ambiental.

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