Centenas de manifestantes se reuniram neste domingo (1º) na Avenida Paulista para cobrar punição aos adolescentes acusados de torturar o vira-lata Orelha, em Praia Brava, litoral de Santa Catarina.
Orelha estava sob os cuidados de uma comunidade local e foi agredido em 4 de janeiro. Um dia depois, em 5 de janeiro, o animal foi submetido à eutanásia em razão das graves lesões sofridas.
O ato, iniciado às 10h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), seguia ativo por volta das 13h. Participantes, de diferentes idades e alguns acompanhados de animais de estimação, vestiam roupas pretas e camisetas com a imagem do cão; adesivos com mensagens pela punição foram distribuídos.
Em alguns momentos, foram exibidas placas pedindo a redução da maioridade penal. O tema voltou a ser debatido no Congresso Nacional, em especial na Câmara dos Deputados. A proposta de reduzir a maioridade de 18 para 16 anos prevê aplicação a crimes violentos, como aqueles considerados hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.
Segundo informações das investigações, pais de dois dos adolescentes e um tio tentaram coagir testemunhas para impedir depoimentos. Os garotos são alvo de apuração por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos a animais.
Há registros de que Orelha seria a segunda vítima relacionada aos mesmos jovens; outro cachorro quase morreu por afogamento em episódio anterior. Organizações de proteção animal e ativistas presentes reclamaram da leniência das penas previstas hoje para crimes contra animais e pediram revisões na legislação.
A entidade Ampara Animal disponibiliza materiais de orientação para reeducação social e alerta para a existência de correlação entre violência contra animais e violência contra mulheres, segundo seus estudos e publicações.
O caso segue sob investigação e motivou repercussão em diferentes cidades, com manifestações públicas por maior rigor no tratamento de crimes de crueldade contra animais.



