O prefeito de Cubatão (SP), César Nascimento (PSD), anunciou que vai buscar apoio do governo federal após o fechamento, em menos de um ano, de duas unidades industriais com longa atuação na cidade: uma da petroquímica Unigel e outra da Yara Brasil Fertilizantes.
Nascimento pretende viajar a Brasília acompanhado por representantes políticos, empresariais e sindicais da Baixada Santista para solicitar revisão da política tarifária aplicada ao setor petroquímico, com foco nas regras que incidem sobre a importação de fertilizantes. Também está na pauta o pedido de celeridade no processo administrativo aberto pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) em 2025, que investiga suposto dumping nas exportações chinesas de produtos laminados de ferro e aço. Em 26 de dezembro de 2025 a Secex tornou público um parecer preliminar que identificou indícios de dumping, mas prorrogou o prazo para concluir a apuração e avaliar prejuízos à siderurgia brasileira.
A Unigel informou, em 8 de dezembro de 2025, a paralisação das atividades de sua planta de Cubatão, que produzia estireno e tolueno, após quase 70 anos de operação. A empresa justificou a decisão pelo cenário global de baixa na indústria química e excesso de oferta, agravado pela expansão de capacidade internacional desde 2023. A Unigel anunciou concentração da produção de poliestireno na unidade de Guarujá e a transferência da produção da fábrica de São José dos Campos, cujo encerramento foi anunciado em 13 de dezembro de 2025.
A companhia está em recuperação judicial desde outubro de 2025, com dívida superior a R$ 5 bilhões. Recentemente, a unidade de São José dos Campos empregava cerca de 40 pessoas; a de Cubatão tinha cerca de 70 trabalhadores diretos e 30 empregos indiretos.
Em fevereiro de 2025, a norueguesa Yara suspendeu a produção em suas fábricas de Cubatão e Paulínia, dentro do movimento de redução da atividade local no setor de fertilizantes.
No âmbito municipal, a gestão propôs concessão de isenções fiscais para tentar mitigar perdas de empregos e arrecadação. Em encontro do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), foi defendida a ação conjunta dos prefeitos das nove cidades da região metropolitana para pleitear junto a esferas federais e estaduais medidas de estímulo à indústria.
A estrutura produtiva de Cubatão vem se reduzindo ao longo de décadas. Dados consolidados apontam queda da produção nacional de fertilizantes de cerca de 11 milhões de toneladas por ano em 2008 para aproximadamente 6 milhões de toneladas atualmente, enquanto o consumo interno passou de cerca de 24 milhões de toneladas anuais para mais de 41 milhões de toneladas anuais. No passado, as indústrias petroquímicas da região chegaram a empregar cerca de 12 mil pessoas; hoje esse contingente é estimado em torno de 3 mil trabalhadores.
O fechamento de atividades primárias na siderúrgica Usiminas em 2016 também afetou o polo local, provocando a perda de cerca de 15 mil postos de trabalho e o encerramento de empresas fornecedoras de insumos derivados do aço.
No campo tributário, o Convênio ICMS nº 26/2021, do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), alterou regras sobre redução e isenção do ICMS para fertilizantes, com aumento gradual da alíquota até atingir 4% do valor da operação em dezembro de 2025. Entre 2021 e 2024, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimou impacto de R$ 11,74 bilhões no custo dos produtores rurais em função da medida.
Para estimular o setor, o governo sancionou no final de 2025 a Lei nº 15.294, que instituiu o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), prevendo incentivos fiscais superiores a R$ 10 bilhões a serem aplicados entre janeiro de 2027 e dezembro de 2031. Em agosto de 2023 o Executivo havia retomado o Regime Especial da Indústria Química (Reiq), com incentivos fiscais para investimentos no segmento.
O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) divulgou nota registrando preocupação com o fechamento de unidades do polo industrial de Cubatão e afirmou que tem intensificado o diálogo com os governos municipal, estadual e federal para buscar medidas que fortaleçam a competitividade da indústria e contenham o processo de desindustrialização.
A agenda do prefeito inclui tentativa de agendamento com autoridades federais, entre elas o vice-presidente e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para apresentar as demandas da região e buscar alternativas para preservar empregos e cadeia produtiva.



