Enquanto o ouvido humano capta sons até cerca de 20 mil hertz (Hz), cães percebem frequências próximas de 40 mil Hz e gatos até 65 mil Hz. Essa diferença explica a maior sensibilidade de pets a ruídos intensos e a preocupação do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) com os impactos dos fogos de artifício no período de festas.
O barulho alto e repentino pode provocar reações imediatas em animais: pânico, tentativas de fuga, tremores, salivação excessiva, automutilação e quedas de janelas ou muros durante fugas. Animais que escapam também correm risco de atropelamento. Do ponto de vista fisiológico, explosões sonoras podem desencadear taquicardia, aumento da pressão arterial, desorientação e crises convulsivas, situações que em casos extremos podem levar ao óbito.
Diante desse cenário, recomenda-se preparar o ambiente com antecedência. Medidas eficazes incluem manter animais em cômodos fechados, reduzir a entrada de som com cortinas e isolamento improvisado, e criar barreiras sonoras com televisão ou música em volume moderado. Brinquedos e atividades que distraiam o pet ajudam a canalizar energia e reduzir o impacto dos estímulos externos. Cobertores e o contato físico também podem proporcionar sensação de segurança.
Para gatos, o uso de feromônios sintéticos em difusores ou sprays é apontado como recurso adicional para atenuar o estresse. É importante controlar acessos à casa durante festas para evitar fugas acidentais causadas por portas deixadas abertas.
Cuidados com contenção: não prender animais a coleiras ou estruturas que possam provocar enforcamento durante tentativas de fuga. Qualquer medicação ansiolítica ou sedação deve ser prescrita e orientada por médico veterinário, devido ao risco de efeitos colaterais ou doses inadequadas.
Alimentação e hidratação também exigem atenção. Evitar oferecer comida próximo aos horários de fogos reduz o risco de engasgos em animais agitados. Em dias de calor, aumentar a hidratação com água fresca e opções como cubos de gelo de melancia ou melão pode distrair e refrescar os pets. Deve-se ter cuidado com aparelhos de ar-condicionado, que podem ressecar as vias aéreas; colocar recipientes com água no ambiente ajuda a manter a umidade.
Passeios na rua devem ser evitados nos horários de pico de calor e de maior atividade de fogos; o ideal é sair até as 8h ou ao final da tarde. Superfícies quentes prejudicam as patas dos animais. Para gatos, distribuir vários potes de água e adotar fontes que mantenham o fluxo de água contribui para maior ingestão hídrica.
Alimentos comuns nas ceias representam risco de intoxicação. Entre os itens perigosos estão chocolate, uvas-passas, cebola, alho, nozes, massas cruas com fermento, bebidas alcoólicas, carnes gordurosas, defumadas ou muito temperadas, e ossos cozidos cujas lascas podem perfurar ou obstruir o trato digestivo. Manter alimentos fora do alcance e não oferecer restos de refeições são medidas preventivas. Para quem quer incluir os pets nas comemorações, opções seguras são carnes magras e cozidas sem tempero, legumes adequados e petiscos formulados para animais.
Procure atendimento veterinário imediatamente se o animal apresentar sintomas intensos ou persistentes, como tremores contínuos, vômitos, dificuldade para respirar, convulsões, tentativas desesperadas de fuga ou recusa total a se alimentar. O acompanhamento profissional é essencial para impedir que medo e ansiedade se tornem problemas crônicos.
Em períodos de grande incidência de fogos — Réveillon, Natal e Carnaval — as orientações de cuidados com os animais devem integrar o planejamento das celebrações, a fim de reduzir sofrimento e prevenir acidentes.



