Os Correios divulgaram nesta segunda-feira (29) um plano de reestruturação para enfrentar déficits acumulados desde 2022. Entre as medidas anunciadas está a mudança do regime societário, com a possibilidade de transformação em empresa de economia mista e abertura de capital.
A estatal contratou uma consultoria para elaborar propostas de alteração do modelo operacional e societário. As propostas ainda serão apresentadas e avaliadas.
O plano prevê o fechamento de cerca de 1.000 agências próprias e cortes de despesas na ordem de R$ 5 bilhões até 2028. A estratégia inclui venda de imóveis e a implementação de dois programas de demissão voluntária, com objetivo de reduzir o quadro de funcionários em 15 mil até 2027.
Para recompor o caixa, os Correios fecharam um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos. Desse total, R$ 10 bilhões serão desembolsados ainda em 2025 e R$ 2 bilhões em janeiro de 2026. O contrato prevê três anos de carência. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco participaram com R$ 3 bilhões cada um; Itaú e Santander investiram R$ 1,5 bilhão cada.
A empresa informou que o crédito deve viabilizar o pagamento de fornecedores, benefícios de empregados e tributos, e ajudar na recuperação operacional. Mesmo com a operação, a companhia busca obter mais R$ 8 bilhões em receitas para equilibrar as contas, montante que pode vir de novos empréstimos ou de aportes do Tesouro Nacional. A decisão sobre a melhor alternativa deve ser tomada ao longo de 2026.
Os Correios justificam a reestruturação pelos resultados negativos repetidos desde 2022 e por um déficit estrutural estimado em R$ 4 bilhões anuais, decorrente do cumprimento da obrigação de universalização do serviço postal. Em 2025, a estatal registra prejuízo de cerca de R$ 6 bilhões nos primeiros nove meses e apresenta patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões.
Segundo a companhia, a crise financeira remonta a mudanças no mercado postal iniciadas em 2016, como a digitalização das comunicações, que reduziu a demanda por correspondências, e a entrada de novos competidores no segmento do comércio eletrônico. Outras empresas postais internacionais também têm anunciado medidas para enfrentar déficits similares.



