domingo, março 29, 2026
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Governo assina contrato com o Butantan para compra da vacina contra a dengue

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou nesta sexta-feira (19), em São Paulo, contrato de compra das primeiras doses da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. O acordo prevê desembolso de cerca de R$ 368 milhões.

A vacina Butantan-DV, aprovada pela Anvisa no início do mês, é a primeira no mundo formulada para aplicação em dose única. O registro autoriza o uso em pessoas de 12 a 59 anos.

Nos próximos dias o Butantan deve entregar 300 mil doses ao Ministério da Saúde. Essas unidades serão distribuídas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) para vacinar voluntários que participaram dos estudos clínicos e para campanhas nos municípios de Botucatu (SP) e Maranguape (CE). Estudos de vacinação em massa também podem ser realizados em Nova Lima (MG). A previsão é que as primeiras aplicações ocorram entre 17 e 18 de janeiro.

Até o fim de janeiro, o instituto comprometeu-se a entregar mais 1 milhão de doses, destinadas prioritariamente a profissionais da Atenção Primária — equipes das unidades básicas de saúde e trabalhadores que realizam visitas domiciliares.

O Butantan informou que pretende ampliar sua capacidade produtiva com parceiros, com expectativa de aumentos significativos de oferta a partir do segundo semestre de 2026. Com isso, a projeção é fornecer até 30 milhões de doses ao Ministério da Saúde até esse período.

A estratégia de ampliação do fornecimento prevê, conforme novas remessas sejam entregues, a extensão da vacinação ao público em geral. O plano inicial sinaliza início pela faixa etária de adultos em direção a jovens de 15 anos, seguindo cronograma a ser detalhado pelo PNI.

Adolescentes de 10 a 14 anos já vêm sendo vacinados no SUS com outra vacina contra a dengue, desenvolvida pelo laboratório japonês Takeda e aplicada em duas doses. Desde 2024, quando o Brasil incorporou esse imunizante na rede pública, mais de 7,4 milhões de doses foram administradas. O Ministério da Saúde garantiu a compra de mais 9 milhões de doses para 2026.

Pessoas acima de 60 anos ainda não têm indicação para receber a Butantan-DV, pois não foram realizados estudos clínicos nesse grupo. O Butantan prevê início de testes com esse público em janeiro.

A formulação do Butantan-DV utiliza vírus vivo atenuado e foi desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines, em articulação com o Ministério da Saúde.

Em avaliação técnica que embasou o registro, a Anvisa apontou eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. Estudos publicados na revista The Lancet Infectious Diseases indicaram proteção de 89% contra formas graves e contra quadros com sinais de alarme.

O Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue no ano passado, número cerca de quatro vezes superior ao de 2023, segundo o Ministério da Saúde. Neste ano, até meados de novembro, foram notificados 1,6 milhão de casos prováveis. Desde o início dos anos 2000, mais de 20 milhões de brasileiros já foram acometidos pela doença.

Autoridades de saúde destacam que a vacinação integra a estratégia de controle da dengue, mas não substitui as medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti. A principal recomendação continua sendo a eliminação de criadouros, com ações simples como evitar água parada em pratos de plantas, pneus e recipientes que acumulem água.

Sintomas comuns da dengue incluem febre alta, dor retro-orbitária, dores no corpo, manchas na pele, coceira, náuseas e dores musculares e articulares.

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