A violência e a censura contra educadores têm um impacto significativo na educação no Brasil. Conforme dados de uma pesquisa realizada pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es (ONVE) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), 90% dos professores da educação básica e superior relataram ter convivido com perseguições ou censuras em suas atividades.
O estudo, que envolveu 3.012 profissionais do ensino público e privado, teve como foco principal a limitação da liberdade de ensinar. Embora tenha abordado a possibilidade de registros de violências físicas, a ênfase recaiu sobre os aspectos políticos e de censura enfrentados pelos educadores.
Os resultados revelaram uma preocupação geral com a disseminação da censura em diversas etapas da educação, não se limitando apenas ao ambiente escolar, mas afetando todos os envolvidos no processo educativo. Na educação básica, 61% dos docentes admitiram serem vítimas de violência, enquanto na educação superior esse número foi de 55%.
Entre os relatos de censura, 58% dos educadores mencionaram ter sofrido tentativas de intimidação, e 41% relataram questionamentos agressivos acerca de suas metodologias. Além disso, 35% enfrentaram proibições explícitas sobre conteúdos a serem abordados.
Casos de demissões, suspensões e deslocamentos forçados também foram documentados, assim como agressões verbais e físicas. O levantamento identificou que os temas mais polêmicos, como questões de gênero e sexualidade, são frequentemente alvo de protestos por parte de pais e outras figuras da comunidade escolar.
Os dados coletados mostraram que a violência contra educadores se intensificou a partir de 2010, com picos em 2016, 2018 e 2022, coincidindo com eventos políticos significativos, como o impeachment de 2016 e eleições presidenciais. Uma parcela significativa dos educadores citou a própria comunidade escolar, incluindo direções e pais, como agentes das violências.
A pesquisa destacou que essas situações de conflito não apenas afetam a carreira dos educadores, mas também impactam a liberdade de aprender dos estudantes. Muitos professores expressaram sentir-se observados em suas práticas, o que leva à autocensura ao abordar assuntos polêmicos.
Com cerca de 45% dos educadores relatando a sensação de vigilância constante, o ambiente escolar se torna um espaço de medo e inibição para discussões essenciais. A pesquisa sugere uma ação governamental para proteger os docentes, especialmente em anos eleitorais, onde a violência tende a aumentar. Um plano nacional de enfrentamento à violência contra educadores está sendo formulado pelo Ministério da Educação, com a colaboração do Observatório.
A análise reforça a necessidade de reconhecimento dos educadores como defensores de direitos humanos, dado seu papel crucial na formação crítica e informada dos estudantes. O Observatório continua a desenvolver sua pesquisa, com a expectativa de que novas análises e relatórios subsidiem políticas que visem preservar o ambiente educacional de ataques e censura.



