sexta-feira, março 27, 2026
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Debate sobre dignidade menstrual ganha força nas redes sociais, revela pesquisa

Um recente estudo da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados analisou mais de 173 mil publicações nas redes sociais sobre menstruação entre janeiro de 2024 e outubro de 2025, totalizando 12,4 milhões de interações. Embora a maioria das postagens aborde o tema de maneira leve, como memes ou discussões informais sobre aspectos naturais do ciclo menstrual, o debate social e político a respeito do assunto é um dos que mais geram engajamento.

O levantamento categorizou cerca de 78 mil publicações em 22 subtemas, entre os quais se destacam cinco que contemplam a menstruação sob uma perspectiva social e política. Esses temas incluem Pobreza e Dignidade Menstrual, Programa Dignidade Menstrual, Impacto na Educação e Trabalho, Licença Menstrual e Menstruação em Crises Humanitárias. Embora representem apenas 10,8% do total, esses tópicos atraem, em média, 1,8 vezes mais interações do que outras postagens relacionadas à rotina menstrual.

O estudo identificou que temas como cólicas e dor menstrual dominam 45% das publicações analisadas, seguidos pela saúde feminina em 20%, os sintomas da TPM em 17% e alternativas de absorção em 12%. No que diz respeito ao engajamento, os subtemas “menstruação em crises humanitárias” e “licença menstrual” se destacaram. O primeiro teve um baixo volume de postagens, mas gerou 870,3 interações por postagem. Já a “licença menstrual”, apesar da baixa quantidade de publicações, alcançou um engajamento sete vezes maior.

Dados indicam que a discussão social e política sobre menstruação possui um significativo “poder de narrativa”, com o interesse do público se concentrando mais nessa abordagem do que em relatos cotidianos relacionados ao tema.

A inclusão de políticas públicas, como a distribuição de absorventes gratuitos para mulheres em situação de vulnerabilidade e a proposta de uma licença menstrual para aquelas que sofrem com sintomas severos, também contribui para o aumento da discussão nas redes sociais.

Em paralelo, a ONG Fluxo Sem Tabu, fundada por Luana Escamilla em 2020, tem sido uma das vozes ativas nesse debate. Com 30 voluntárias, a organização já atendeu mais de 28 mil mulheres em todas as regiões do Brasil, promovendo a dignidade menstrual. A ONG não só distribui absorventes, mas também realiza projetos para tornar espaços mais acolhedores e seguros, especialmente em comunidades com menos recursos.

Atualmente, muitos desafios ainda cercam o tema, como a falta de acesso a banheiros e informações adequadas sobre saúde menstrual. A Fluxo Sem Tabu está empenhada em impactar 50 milhões de pessoas até 2030 com campanhas educativas em canais físicos e digitais, abordando a saúde menstrual de maneira abrangente, incluindo discussões sobre esporte e saúde da mulher.

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