A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) organizou, nesta sexta-feira (28), uma ação em parceria com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) para commemorara o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito, realizada em frente aos Arcos da Lapa, no centro da cidade.
Estabelecida em 1995 pela Organização das Nações Unidas (ONU), essa data, celebrada em 16 de novembro, busca oferecer apoio às vítimas de acidentes de trânsito e aumentar a conscientização sobre segurança viária, prestando homenagens aos falecidos, às suas famílias e aos profissionais de emergência.
Neste ano, a campanha tem como tema “Talentos perdidos”, que se refere ao impacto significativo que os acidentes de trânsito têm, especialmente entre crianças e jovens, reconhecendo a perda precoce para a sociedade.
De janeiro a outubro de 2023, 640 pessoas perderam a vida em acidentes nas vias públicas e rodovias da capital fluminense. Entre esses óbitos, 234 ocorreram na zona norte e 182 na zona oeste, áreas que há mais de dez anos concentram os maiores índices de acidentes fatais no município. A quantidade de mortes neste ano já representa a sexta maior desde o início da série histórica em 2008, enquanto no ano anterior foram registradas 723 mortes.
Das 640 mortes, 68% envolveram motociclistas, revelando que a maioria dos acidentes fatais está relacionada a motos. Além disso, 47 mil pessoas receberam atendimento em unidades de saúde este ano por consequências de acidentes de trânsito. As principais causas identificadas incluem excesso de velocidade, desrespeito ao sinal vermelho e uso de telefone enquanto dirige.
O impacto na rede de saúde municipal é significativo, com 6 mil profissionais envolvidos no atendimento às vítimas, muitas delas em salas de politrauma. Quarenta por cento das cirurgias ortopédicas na cidade são dedicadas a vítimas de acidentes de motos, que geram custos elevados, estimados em R$ 130 milhões anuais.
A CET-Rio firmou parcerias com plataformas de transporte, como Uber e 99, para monitorar o comportamento de mototaxistas, a fim de identificar manobras perigosas, como excesso de velocidade ou desrespeito a sinais. Essas informações visam promover uma punição adequada para condutores que dirigem de forma imprudente, ao mesmo tempo que se busca incentivar a educação no trânsito por meio de capacitação.
Dados recentes do Atlas da Violência 2025, divulgados este ano, revelaram um aumento nas taxas de mortes por acidentes de trânsito no Brasil, que chegaram a 16,2 por 100 mil habitantes. Em comparação com 2022, quando a taxa era de 15,8, houve um aumento de 2,5%. No que diz respeito a acidentes envolvendo motocicletas, a taxa subiu para 6,3 por 100 mil habitantes, representando um crescimento de 12,5% em relação ao ano anterior. Esse índice, que desde 2020 era mantido em 5,6, destaca a gravidade da situação.



