sexta-feira, março 27, 2026
InícioEducaçãoPolíticas de Segurança Necessárias para o Uso da IA na Educação entre...

Políticas de Segurança Necessárias para o Uso da IA na Educação entre Alunos e Professores

Um estudo qualitativo intitulado “Inteligência Artificial na Educação: usos, oportunidades e riscos no cenário brasileiro” foi conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e abordou alunos e professores do ensino médio em escolas públicas e privadas nas capitais de São Paulo e Pernambuco. A pesquisa revelou um uso abrangente e, por vezes, desmedido da tecnologia de Inteligência Artificial (IA) no ambiente escolar. Anteriormente, uma pesquisa denominada TIC Educação já indicava que 70% dos alunos do ensino médio, totalizando cerca de 5,2 milhões de estudantes, e 58% dos professores utilizavam ferramentas de IA generativa em suas atividades.

O levantamento mostrou que tanto alunos quanto professores utilizaram a IA para diversas finalidades, que vão desde pesquisas simples até suporte emocional. O trabalho de campo para este estudo ocorreu entre junho e agosto de 2025 e os resultados foram apresentados em um seminário no Rio de Janeiro. O uso da tecnologia, no entanto, ocorre sem a devida orientação ou supervisão institucional, o que gera preocupações.

Os dados indicam a necessidade de estabelecer diretrizes, protocolos e políticas que ofereçam segurança e clareza sobre o uso da IA. A capacitação de educadores e alunos é uma prioridade, visando uma orientação adequada para evitar riscos associados ao uso dessa tecnologia. O estudo destaca que, embora os estudantes sejam entusiastas da IA, eles também expressam inquietações sobre possíveis consequências negativas, como a perda de criatividade e identidade, além do temor de se tornarem dependentes.

Os professores também adotaram a IA generativa, principalmente na preparação de aulas e na personalização de tarefas de acordo com o perfil dos alunos. No entanto, eles sentem-se perdidos em relação a como mediar o uso dessas ferramentas. A pesquisa indica que a utilização da IA pelos estudantes tem impactado negativamente suas habilidades de aprendizado, especialmente na escrita.

As desigualdades no acesso à tecnologia foram identificadas como um fator crítico. Estudantes de escolas privadas, que normalmente possuem melhor infraestrutura, conseguem tirar maior proveito das ferramentas de IA, enquanto os alunos das escolas públicas enfrentam limitações significativas, principalmente no acesso a dispositivos adequados.

A construção de políticas públicas voltadas para o uso seguro da IA deve incluir a educação sobre a tecnologia, sua construção e as questões relacionadas aos dados que ela utiliza. A pesquisa destaca a urgência em se promover o letramento digital entre alunos e professores, a fim de reduzir as desigualdades em oportunidades de aprendizado.

Além disso, é vital que haja uma reflexão crítica sobre como verificar a veracidade das informações geradas pela IA, considerando que muitas vezes estão presentes erros de fato ou preconceitos. O desenvolvimento de habilidades críticas será essencial para que os alunos possam navegar neste novo contexto tecnológico sem comprometer sua capacidade criativa. A coordenadora do estudo ressaltou a complexidade do cenário atual, em que a introdução da IA ocorre a uma velocidade sem precedentes, exigindo ações imediatas para um enfrentamento eficaz dos desafios que emergem.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES