terça-feira, março 31, 2026
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Saldo negativo nas contas externas chega a US$ 5,1 bilhões em outubro

As contas externas do Brasil registraram um déficit de US$ 5,121 bilhões em outubro, conforme dados divulgados nesta terça-feira (24) pelo Banco Central. No mesmo mês do ano anterior, o déficit havia sido de US$ 7,387 bilhões, refletindo uma melhora nas transações correntes, que englobam compras e vendas de mercadorias e serviços, além de transferências de renda com outros países.

Esse aprimoramento em relação ao ano passado é atribuído ao aumento de US$ 3 bilhões no superávit comercial. Ao mesmo tempo, o déficit em renda primária, que inclui pagamentos de juros, lucros e dividendos, cresceu em US$ 838 milhões. Os resultados nas contas de serviços e renda secundária permaneceram estáveis.

Nos doze meses encerrados em outubro, o déficit nas transações correntes acumulou US$ 76,727 bilhões, o que representa 3,48% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse valor cresceu em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o déficit foi de US$ 57,341 bilhões, ou 2,57% do PIB. O Banco Central comentou que, apesar de uma tendência anterior de redução nos déficits, essa situação se alterou a partir de março de 2024. O déficit externo, no entanto, é financiado por capital de longo prazo, principalmente por meio de investimentos diretos no Brasil.

No que diz respeito à balança comercial, as exportações de bens totalizaram US$ 32,111 bilhões em outubro, representando um aumento de 8,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. As importações, por sua vez, somaram US$ 25,941 bilhões, registrarando uma diminuição de 1,3% na mesma comparação. Assim, a balança comercial apresentou um superávit de US$ 6,170 bilhões, superando o saldo positivo de US$ 3,189 bilhões em outubro do ano passado.

No setor de serviços, o déficit alcançou US$ 4,372 bilhões em outubro, ligeiramente inferior aos US$ 4,416 bilhões do mesmo mês de 2024. Notou-se um aumento significativo de 142% nas despesas líquidas com serviços de telecomunicação e tecnologia, que totalizaram US$ 591 milhões. Ao mesmo tempo, as despesas com serviços de propriedade intelectual, relacionadas a plataformas de streaming, subiram 35,6%, atingindo US$ 995 milhões. As despesas líquidas de transporte caíram 18,5%, totalizando US$ 1,3 bilhão, refletindo a diminuição nas importações.

Em relação às viagens internacionais, o déficit na conta específica somou US$ 1,343 bilhão, um aumento de 14,5% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Isso se deve à queda de 3,8% nas receitas provenientes de turistas estrangeiros no Brasil e ao aumento de 8,3% nas despesas de brasileiros em viagens ao exterior, totalizando US$ 1,916 bilhão.

Quanto à renda primária, o déficit em outubro foi de US$ 7,429 bilhões, um crescimento de 12,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o défice foi de US$ 6,590 bilhões. Esta conta geralmente é negativa, visto que o Brasil recebe um volume maior de investimentos estrangeiros, cujos lucros são frequentemente remetidos para fora do país.

A conta de renda secundária, que cobre doações e remessas sem contrapartida de serviços ou bens, registrou um superávit positivo de US$ 510 milhões em outubro, um aumento em relação ao superávit de US$ 430 milhões do ano anterior.

Os investimentos diretos no Brasil (IDP) totalizaram US$ 10,937 bilhões em outubro, contra US$ 6,698 bilhões no mesmo mês de 2024. Esses investimentos são essenciais para cobrir o déficit nas transações correntes, sendo a forma mais confiável de financiamento, pois geralmente são de longo prazo e direcionados ao setor produtivo. O IDP acumulado em doze meses atingiu US$ 80,081 bilhões, representando 3,63% do PIB.

Nos investimentos em carteira no mercado interno, ocorreu uma entrada líquida de US$ 3,213 bilhões em outubro, dividida entre US$ 2,452 bilhões em títulos de dívida e US$ 761 milhões em ações e fundos. Essa categoria de investimentos somou, nos doze meses encerrados em outubro, ingressos líquidos de US$ 6,3 bilhões.

Por fim, as reservas internacionais do Brasil chegaram a US$ 357,103 bilhões em outubro, com um aumento de US$ 521 milhões em relação ao mês anterior.

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