segunda-feira, março 30, 2026
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Mundurukus se reúnem com Lago, Guajajara e Marina após manifestação

Na manhã desta sexta-feira (14), o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, recebeu formalmente representantes do povo Munduruku, que apresentaram suas reivindicações após realizar um protesto nas proximidades do evento. A manifestação contou com a presença de aproximadamente 90 indígenas, que ocuparam a área externa destinada a negociadores.

Durante a reunião, o presidente da COP30, acompanhado pelas ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, recebeu dois documentos com demandas dos Munduruku. Entre as solicitação, destacaram a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que autoriza a privatização de projetos públicos no setor hidroviário.

Em relação às terras indígenas, Sônia Guajajara confirmou que o processo de demarcação do território Munduruku Sawré Bap’in já foi assinado pelo ministro da Justiça e atualmente está com a Funai, aguardando a contratação de uma empresa para a demarcação física. Para o território Sawré Maiban, o procedimento está no Ministério da Justiça, aguardando a assinatura da portaria declaratória.

A ministra também abordou a solicitação dos Munduruku por uma maior representatividade indígena na COP30, afirmando que 360 indígenas estão credenciados para o evento. Embora tenha reconhecido a diversidade de povos da Amazônia, destacou que a participação indígena foi ampliada em relação a edições anteriores das conferências.

Além das questões territoriais, os Munduruku expressaram oposição ao projeto da Ferrovia Ferrogrão, que liga Sinop (MT) a Itaituba (PA) para escoar grãos. O projeto está atualmente paralisado no Supremo Tribunal Federal. Marina Silva informou que não há nenhum pedido de licenciamento em andamento, já que o processo está judicializado e um Estudo de Impacto Ambiental foi devolvido pelo Ibama devido à sua inadequação.

A liderança indígena Alessandra Munduruku reiterou a importância de que os territórios sejam consultados em relação ao diálogo com as autoridades, enfatizando que as decisões devem ser tomadas em conjunto, respeitando a participação dos povos originários.

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