Em setembro de 2023, os brasileiros realizaram saques de R$ 455,68 milhões em valores esquecidos no sistema financeiro, conforme informado pelo Banco Central (BC). Desde o lançamento do Sistema de Valores a Receber (SVR), já foram devolvidos R$ 12,22 bilhões, enquanto ainda permanecem R$ 9,73 bilhões disponíveis para retirada.
O SVR permite que cidadãos e empresas verifiquem se possuem quantias não reclamadas em bancos, consórcios ou instituições financeiras, como corretoras. Para realizar a consulta, é necessário informar o CPF e a data de nascimento ou, no caso de empresas, o CNPJ e a data de abertura.
Ao encontrar valores a receber, é necessário acessar a plataforma e efetuar login com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, incluindo a autenticação de dois fatores. Dentro da plataforma, o usuário pode checar a origem do dinheiro e os dados de contato da instituição responsável.
Os saques podem ser feitos de três maneiras: entrando em contato diretamente com a instituição devida, utilizando o Sistema de Valores a Receber ou através da nova funcionalidade de solicitação automática de resgate, ativada pelo Banco Central em maio. Esse recurso permite que o crédito, quando disponível, seja depositado diretamente na conta do beneficiário, mas apenas para pessoas físicas que tenham uma chave Pix vinculada ao CPF. A adesão a essa opção é opcional.
As fontes dos valores esquecidos incluem contas correntes ou de poupança encerradas, sobras de cooperativas de crédito, recursos não reivindicados de grupos de consórcio, tarifas indevidamente cobradas e contas de pagamento encerradas, entre outras.
Até o final de setembro, 34.286.689 correntistas tinham reclamado valores, sendo 30.926.111 pessoas físicas e 3.360.578 jurídicas. No entanto, 53.374.323 beneficiários ainda não haviam efetivado seus saques, dos quais 48.639.667 eram pessoas físicas e 4.734.656, pessoas jurídicas.
A maioria dos valores a receber é pequena. Cerca de 64,63% dos beneficiários possuem quantias até R$ 10. Valores entre R$ 10,01 e R$ 100 representam 23,84%, enquanto quantias entre R$ 100,01 e R$ 1 mil abrangem 9,72%. Apenas 1,81% dos beneficiários têm direito a mais de R$ 1 mil.
O Banco Central alerta para a possibilidade de golpes envolvendo estelionatários que oferecem ajuda para o resgate de valores. A autarquia reforça que todos os serviços do SVR são gratuitos e que não envia links ou realiza contatos para tratar de saques, solicitando que os usuários nunca compartilhem suas senhas.



