terça-feira, março 31, 2026
InícioVariedadesCientistas brasileiros desenvolvem método ágil para identificar bebidas adulteradas

Cientistas brasileiros desenvolvem método ágil para identificar bebidas adulteradas

Em resposta ao crescente número de casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas, pesquisadores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram um dispositivo conhecido como nariz eletrônico. Este equipamento é capaz de detectar a presença de metanol em bebidas alcoólicas com apenas uma gota da amostra.

O funcionamento do nariz eletrônico consiste em converter os aromas em dados, que são analisados por um sistema de inteligência artificial projetado para aprender a reconhecer a assinatura olfativa de diferentes amostras. Inicialmente, o aparelho é calibrado com bebidas legítimas, antes de ser testado com versões adulteradas.

A leitura dos compostos voláteis é realizada em até 60 segundos, permitindo a identificação não apenas do metanol, mas também de outras adulterações, como a diluição em água. Os pesquisadores garantem uma precisão de 98% na detecção.

Embora tenha sido desenvolvido inicialmente para o setor de petróleo e gás – especificamente para detectar vazamentos de gás natural por meio de um odorizante – o nariz eletrônico possui aplicações diversificadas. Ele pode ser utilizado para identificar fraudes em alimentos, além de auxiliar hospitais na detecção de micro-organismos por meio dos odores.

Os pesquisadores destacam o potencial da tecnologia na indústria alimentícia, onde pode ser empregada para verificar a qualidade de produtos como café, peixes e carnes, além do óleo de soja utilizado na produção de margarina.

O grupo de pesquisa tem em mente várias possibilidades para implementação no setor de bares, restaurantes e adegas. Uma delas é disponibilizar totens para proprietários de estabelecimentos, permitindo que os clientes verifiquem a autenticidade das bebidas. Outra alternativa seria a criação de equipamentos portáteis para que os fabricantes de bebidas possam garantir a qualidade de seus produtos.

Além disso, há planos para desenvolver um dispositivo que possa ser utilizado pelos próprios consumidores, possibilitando que eles verifiquem a qualidade de suas bebidas ou alimentos.

Atualmente, a versão do nariz eletrônico voltada para bebidas só foi testada em laboratório e ainda precisa passar por avaliações em ambientes reais antes de ser comercializada. Para tornar essa tecnologia acessível, estima-se que seja necessário um investimento em torno de R$ 10 milhões.

O nariz eletrônico foi exibido no festival Rec’n’Play 2025, que acontece até o sábado no Porto Digital, em Recife.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES