sábado, março 28, 2026
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Professores temporários no Brasil superam os da OCDE

Um estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que cerca de 64% dos professores brasileiros possuem contratos permanentes em suas escolas, um percentual que está abaixo da média dos países da OCDE, que é de 81%. Essa informação foi divulgada na pesquisa Talis 2024, que analisa a educação em 53 nações e se baseia em entrevistas com docentes e diretores de ensino fundamental.

Comparado à pesquisa anterior de 2018, o Brasil registrou uma queda de 16 pontos percentuais nesse tipo de contrato. A pesquisa aponta que a estabilidade proporcionada por contratos permanentes é fundamental para a segurança dos professores e, consequentemente, para a qualidade do ensino.

No ranking global, o Brasil ocupa a quinta pior posição em contratos permanentes. Apenas Xangai (China), Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Costa Rica têm índices inferiores. Em contraste, países como Dinamarca, Letônia e França apresentam quase 100% de docência com contratos permanentes.

Além dos contratos, a satisfação salarial dos professores brasileiros também é preocupante. Somente 22% dos docentes se dizem satisfeitos com seus salários, um aumento de quatro pontos percentuais desde 2018, mas ainda aquém da média de 39% observada entre os professores da OCDE. O Brasil é o quinto pior colocado nesse aspecto, superando apenas Malta, Portugal, Islândia e Turquia.

Em termos de condições de trabalho — incluindo benefícios e carga horária — a insatisfação é notável. O Brasil é o terceiro pior país, onde apenas 44% dos professores se mostraram satisfeitos, uma queda em relação aos 52% em 2018. A média da OCDE é de 68%. Na comparação internacional, muitos países, como Áustria e Colômbia, apresentam taxas acima de 80% de satisfação, enquanto menos de 40% dos professores no Japão e em Portugal compartilham desse sentimento.

A pesquisa Talis 2024, conduzida no Brasil pela quarta vez, foi realizada entre junho e julho de 2024, em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e as secretarias de Educação das 27 Unidades Federativas.

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