segunda-feira, março 30, 2026
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Violência obstétrica: dois em cada três mulheres no Rio de Janeiro foram afetadas

Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz revelou que cerca de dois terços das mulheres do Rio de Janeiro relataram ter vivenciado algum tipo de violência obstétrica durante o parto. Dentre os tipos de violência identificados, os toques vaginais inadequados foram os mais comuns, afetando 46% das participantes. Em seguida, 31% relataram negligência, enquanto 22% mencionaram abuso psicológico.

Esses dados fazem parte da segunda edição da Pesquisa Nascer no Brasil, um inquérito abrangente sobre parto e nascimento no país. O suplemento específico sobre o estado do Rio de Janeiro foi divulgado na quarta-feira (03) e inclui informações de 1923 mulheres atendidas em 29 maternidades, tanto públicas quanto privadas, em diferentes regiões do estado entre 2021 e 2023. As estatísticas nacionais serão apresentadas no próximo ano.

Entre as mulheres que relataram toques inadequados, a maioria afirmava que essas práticas ocorreram sem explicações ou consentimentos. Também foram comuns os relatos de exames vaginais realizados sem a devida privacidade. Com relação à negligência, muitas mulheres mencionaram longas esperas por atendimento e a sensação de estarem sendo ignoradas pela equipe médica. No que diz respeito ao abuso psicológico, destacou-se o fato de várias mulheres terem sido repreendidas ou terem recebido críticas dos profissionais de saúde.

O estudo também apontou que as mulheres mais jovens, adolescentes, assim como aquelas com baixa escolaridade e beneficiárias de programas sociais, foram as que mais relataram esse tipo de violência. Adicionalmente, as violências foram mais frequentes no setor público e durante partos vaginais, já que as mulheres ficam mais tempo sob cuidados da equipe de saúde.

Outro dado alarmante é que 53 parturientes passaram pela manobra de Kristeller, um procedimento em que o profissional empurra ou se apoia sobre a gestante para acelerar o parto. Essa manobra é proibida por uma lei estadual desde 2016 e é desaconselhada pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde, devido aos riscos que representa para a mãe e o bebê.

Se os dados da pesquisa forem aplicados ao total de nascimentos no estado em 2022, estima-se que cerca de 5,6 mil mulheres tenham sofrido formas graves de violência física durante o parto no Rio de Janeiro.

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