segunda-feira, março 30, 2026
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Vice-presidente da Venezuela afirma que país não será colônia dos EUA

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, pediu neste sábado (3) a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro, que, segundo autoridades venezuelanas, foi capturado por militares dos Estados Unidos após bombardeios contra o país.

A declaração de Rodríguez foi feita minutos depois de uma coletiva do presidente dos EUA, Donald Trump. Na ocasião, o governo norte-americano indicou intenção de administrar temporariamente a Venezuela até uma transição e possibilitar a exploração das reservas petrolíferas por empresas dos Estados Unidos, segundo relatos oficiais.

Rodríguez participou de reunião do Conselho de Defesa da Nação com várias autoridades, entre elas o ministro da Defesa Vladimir Padrino López, o ministro do Interior Diosdado Cabello e a presidente do Tribunal Superior de Justiça, Caryslia Rodríguez.

A vice-presidente informou que Maduro foi detido por volta das 1h58 desta madrugada e afirmou que o governo interpreta a ação como uma tentativa dos EUA de controlar os recursos naturais venezuelanos por pretextos falsos. Segundo ela, foi ativado, por decreto assinado por Maduro, todo o aparato estatal para proteger o território diante da suposta invasão.

As autoridades venezuelanas também anunciaram a mobilização de poderes públicos e organizações civis e militares, com apelo à calma e à unidade nacional para enfrentar a situação.

Rodríguez ressaltou ainda terem chegado manifestações de solidariedade de outros países e alertou que o ataque à Venezuela pode representar um alerta para nações vizinhas.

Contexto

O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela representa, segundo analistas, um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última intervenção militar direta dos EUA na região foi em 1989, no Panamá, quando as forças norte-americanas prenderam o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico.

Os Estados Unidos têm acusado Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel conhecido como De Los Soles, alegação feita sem apresentação de provas, de acordo com especialistas em tráfico internacional que questionam a existência do grupo.

Além disso, o governo de Donald Trump oferecia recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.

Críticos da operação apontam motivações geopolíticas por trás da ação, citando o objetivo de afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia e de aumentar o controle sobre as vastas reservas petrolíferas do país, consideradas as maiores reservas de óleo comprovadas do mundo.

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