A partir de relatos de migrantes venezuelanos, este texto reúne trajetórias de quem deixou a Venezuela em busca de melhores condições no Brasil durante a crise econômica do país.
Benjamin Mast, produtor audiovisual, chegou ao Brasil em 2016. Na época já havia crise econômica na Venezuela, mas o fluxo migratório só se intensificou no ano seguinte, sobretudo pela fronteira de Roraima. Hoje com 44 anos, Benjamin está estabelecido em Roraima, onde mantém uma produtora junto com a esposa. O casal tem uma filha de 1 ano. Mast iniciou trabalhos no mercado audiovisual brasileiro entre 2014 e 2015, quando as oportunidades em sua terra natal eram escassas, e optou pela migração para ampliar sua atuação profissional.
Em Foz do Iguaçu, a pesquisadora e professora Livia Esmeralda Vargas González também desembarcou no Brasil em 2016, após conquistar bolsa de doutorado em história na Universidade Federal de Ouro Preto, com início em 2017. Em cinco anos, concluiu o doutorado em história e também um doutorado em filosofia. Durante esse período, a estadia inicialmente prevista para estudos acabou se transformando em migração de longo prazo. Em agosto do ano passado, o filho dela, Aquiles Léon, de 21 anos, passou a morar em Foz ao ser aprovado no processo seletivo para estudantes latino-americanos e caribenhos da Unila, no curso de engenharia da energia.
Antes de emigrar, Livia era professora associada do curso de sociologia na principal universidade venezuelana, onde enfrentava condições salariais precárias que obrigavam colegas a assumir trabalhos informais para complementar a renda, comprometendo o tempo dedicado à pesquisa. No Brasil, encontrou oportunidades acadêmicas e também espaço para atuação literária.
Outra trajetória relatada é a de Maria Elias, que veio ao Brasil em 2015 com o marido e dois filhos. Técnica em informática, ela e a família saíram de Güigüe, no estado de Carabobo, quando a crise econômica avançou e a manutenção do comércio local se tornou insustentável. A adaptação inicial incluiu dificuldades com a língua e a inserção no mercado formal. Para garantir renda, o casal apostou na culinária ligada à ascendência libanesa. A primeira encomenda veio de uma lanchonete próxima ao local onde moravam. Em 2016 passaram a ser contratados para jantares em residências e, após um ano, ampliaram o cardápio para incluir opções italianas e mediterrâneas.
As histórias destacam a diversidade de caminhos adotados por venezuelanos no Brasil: busca por trabalho qualificado, continuidade de formação acadêmica e reinvenção profissional por meio de atividades empreendedoras. Ao mesmo tempo, permanecem vínculos e preocupações com familiares que seguem na Venezuela, onde a crise afeta acesso a serviços básicos e condições de subsistência.



