As vendas do Dia das Crianças, programadas para 12 de outubro, devem totalizar R$ 9,96 bilhões, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Esse valor representa um aumento de 1,1% em comparação ao ano anterior, que registrou R$ 9,85 bilhões. Caso a expectativa se concretize, será a melhor performance dos últimos doze anos, ficando atrás apenas de 2014, quando as vendas chegaram a R$ 10,5 bilhões. Os valores mencionados já consideram a inflação recente.
O Dia das Crianças é a terceira data mais relevante para o comércio brasileiro, superada apenas pelo Natal e pelo Dia das Mães. Em relação aos segmentos de vendas, a maior parte do valor movimentado será destinada à área de vestuário e calçados, que representa 27% do total, conforme a CNC. As expectativas específicas por segmento são as seguintes:
– Vestuário, calçados e acessórios: R$ 2,71 bilhões
– Eletroeletrônicos e brinquedos: R$ 2,66 bilhões
– Farmácias, perfumarias e cosméticos: R$ 2,15 bilhões
– Móveis e eletrodomésticos: R$ 1,29 bilhão
– Hiper e supermercados: R$ 690 milhões
– Outros segmentos: R$ 45 milhões
Apesar das boas expectativas de vendas, fatores como os juros altos e a inflação podem limitar o crescimento. A CNC aponta que os consumidores enfrentam dificuldades devido ao aumento das taxas de juros, que tornam o crédito mais caro e reduzem a capacidade de compra. O Comitê de Política Monetária (Copom) mantém a Selic em 15% ao ano para controlar a inflação, que atingiu 5,13% nos últimos 12 meses, superando o teto da meta estabelecida.
A alta nos juros também provoca um encarecimento do crédito, levando a taxa média de juros ao consumidor a 57,65% ao ano, o nível mais elevado para julho desde 2017. Além disso, a taxa de inadimplência alcançou 30,4%, o maior índice desde o início da pesquisa em 2010. O comércio brasileiro reporta quatro meses consecutivos de queda nas vendas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Quanto à inflação de produtos típicos do Dia das Crianças, a CNC estima que a alta foi superior à média do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com um aumento médio de 8,5% em relação ao ano anterior. Dentre os 11 itens analisados, quatro apresentam inflação esperada acima de dois dígitos, sendo:
– Chocolates: 24,7%
– Doces: 13,9%
– Lanches: 10,9%
– Cinema, teatro e concertos: 10,3%
Os principais produtos de venda, como brinquedos e roupas infantis, têm previsão de inflação abaixo da média geral, com aumentos de 4,1% e 3,3%, respectivamente.



