domingo, março 29, 2026
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Unicef revela que obesidade infantil ultrapassa desnutrição globalmente pela primeira vez

Uma em cada cinco crianças e adolescentes em todo o mundo está acima do peso, somando aproximadamente 391 milhões de pessoas, sendo que cerca de 188 milhões apresentam obesidade. Essa situação marca a primeira vez na história em que o excesso de peso grave supera a desnutrição como a forma mais prevalente de nutrição inadequada na infância. Os dados foram divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que alerta sobre os riscos à saúde dessa população.

Um relatório abrangente, que compila informações de mais de 190 países, indica que a taxa de desnutrição entre crianças de 5 a 19 anos caiu de quase 13% para 9,2% entre os anos 2000 e 2025. Em contraste, os índices de obesidade saltaram de 3% para 9,4%. A obesidade, no entanto, não superou a desnutrição em apenas duas regiões: África Subsaariana e Sul da Ásia.

No Brasil, essa realidade já é perceptível há algumas décadas. Em 2000, a obesidade afetava 5% das crianças e adolescentes, enquanto 4% estavam em situação de desnutrição. Até 2022, o percentual de obesidade subiu para 15%, enquanto a desnutrição recuou para 3%. O sobrepeso também é uma preocupação, tendo dobrado de 18% para 36%.

Os maiores índices de obesidade infantil são registrados em países das Ilhas do Pacífico, onde a taxa supera 30%. O Unicef aponta que a substituição da alimentação tradicional por produtos ultraprocessados, que têm preços mais acessíveis, é a principal causa desse fenômeno.

As preocupaçõe com a obesidade e o consumo de ultraprocessados não se limitam a países em desenvolvimento, mas também se estendem a nações de alta renda. No Chile, 27% da população entre 5 e 19 anos vive com obesidade, e os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos apresentam índices de 21%.

O relatório destaca que a obesidade é uma questão crescente que pode afetar o desenvolvimento e a saúde das crianças. A transição de uma dieta rica em frutas, verduras e proteínas para alimentos ultraprocessados ocorre em um momento crucial de crescimento e desenvolvimento cognitivo.

Além disso, a pesquisa revela que a mudança nos hábitos alimentares não deve ser vista apenas como uma escolha individual, mas sim como resultado de ambientes alimentares que favorecem a ingestão de alimentos ultraprocessados e fast food, caracterizados por altos níveis de açúcar, sal, gordura insalubre e aditivos.

Produtos ultraprocessados estão se tornando predominantes em escolas e comércios, com o marketing digital fornecendo um acesso significativo da indústria de alimentos ao público jovem.

A desnutrição, embora tenha diminuído em algumas faixas etárias, continua persiste como um problema alarmante entre crianças menores de 5 anos, especialmente em países de baixa e média renda, enquanto o excesso de peso é mais comum entre escolares e adolescentes.

Estudos indicam que a obesidade eleva o risco de condições como resistência à insulina, hipertensão e doenças graves, incluindo diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer. O Unicef alerta que, sem intervenções eficazes, os países enfrentarão consequências econômicas significativas devido aos impactos na saúde pública, prevendo que até 2035 o custo econômico global do sobrepeso ultrapasse US$ 4 trilhões anuais.

Apesar do panorama geral, algumas nações, incluindo o Brasil, têm adotado medidas positivas. Destacam-se a restrição da compra de ultraprocessados no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), a proibição de publicidade de alimentos não saudáveis direcionadas a crianças, a implementação de rotulagem frontal que informa sobre substâncias prejudiciais, e a proibição do uso de gorduras trans na produção de alimentos.

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