segunda-feira, março 30, 2026
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Unesco alerta sobre a importância da qualidade das refeições nas escolas globais

Um relatório recentemente divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) destaca a necessidade urgente de aprimorar a qualidade das refeições nas escolas. Apesar de cerca de 50% das crianças no mundo terem acesso à alimentação escolar, a Unesco alerta que o valor nutricional dos alimentos oferecidos ainda recebe atenção insuficiente.

O documento recomenda que as instituições priorizem refeições balanceadas, preparadas com ingredientes frescos e acompanhadas de programas de educação alimentar. Estudos demonstram que a alimentação escolar pode impulsionar em até 9% as matrículas e em 8% a frequência escolar, além de trazer melhorias no desempenho acadêmico.

Além disso, o relatório evidencia a correlação entre a falta de monitoramento das refeições escolares e o aumento da obesidade infantil, que mais do que dobrou desde 1990, coincidentemente com a crescente insegurança alimentar global.

Intitulado “Educação e Nutrição: Aprender a Comer Bem”, o estudo, elaborado em parceria com o Consórcio de Pesquisa para Saúde e Nutrição Escolar, revela que em 2022, aproximadamente um terço das refeições escolares não contou com nutricionistas no planejamento. Dos 187 países avaliados, apenas 93 possuíam normas para regular a oferta de alimentos nas instituições de ensino, e somente 65% controlavam a venda de produtos em cantinas e máquinas automáticas.

O relatório também menciona a importância de valorizar a agricultura local e a produção familiar, ressaltando como isso pode contribuir para uma alimentação mais saudável e uma economia circular nas comunidades.

Entre os programas positivos mencionados, destaca-se o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do Brasil, que começou a limitar o uso de alimentos ultraprocessados. Para que os avanços se intensifiquem, a Unesco enfatiza a importância de um monitoramento mais rigoroso por parte das autoridades.

O estudo aponta exemplos internacionais como a iniciativa na China, onde a inclusão de vegetais, leite e ovos nas escolas rurais melhorou a nutrição e a frequência dos alunos. Na Nigéria, a alimentação escolar baseada na produção local resultou em um aumento de 20% nas matrículas no ensino primário. Na Índia, a introdução de milheto fortificado nas refeições escolares contribuiu para melhorar a atenção e a memória de estudantes adolescentes.

Em termos de ações futuras, a Unesco defende que os governos adotem alimentos frescos e locais, reduzam a presença de produtos ultraprocessados e integrem a educação alimentar nos currículos escolares. Em 2025, a organização planeja lançar ferramentas práticas e programas de treinamento voltados para gestores públicos e educadores.

Esse relatório faz parte do Monitoramento Global da Educação (GEM), que avalia o progresso dos países em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 4), focando na garantia de educação de qualidade.

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