segunda-feira, março 30, 2026
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Um em cada três casos de violência política no RJ é motivado por ódio

Um estudo realizado pela organização Observatório das Favelas revela que um em cada três casos de violência política na região metropolitana do Rio de Janeiro é motivado por ódio, englobando temas como racismo, misoginia, homofobia e transfobia. A pesquisa, divulgada nesta terça-feira (14), cobre o período de janeiro de 2022 a junho de 2025 e identificou 267 casos de violência política, dos quais 89 foram relacionados a essas motivações.

Segundo o levantamento, de 2022 a 2024, o número de ataques contra negros duplicou, passando de 17 para 30 incidentes. Em contraste, a violência política contra brancos registrou uma leve queda, de 33 para 30 casos. A pesquisa também destacou o aumento da presença de candidatos negros nas últimas eleições, onde em 2024, 52,7% dos candidatos eram negros, segundo dados da Justiça Eleitoral.

As formas de violência política também foram categorizadas. Entre os 267 casos identificados, 15% foram agressões verbais e 13% correspondem à repressão a manifestações. Além disso, 12% dos incidentes foram tentativas de homicídio que não resultaram em morte e outras 12% foram execuções.

As armas de fogo foram utilizadas em 30% das situações registradas, com 33 atentados à vida e 31 execuções contabilizadas no período. O estudo também investigou os agressores, identificando políticos como responsáveis em 59 casos e policiais em 58. Entre os atos atribuídos a políticos, as agressões verbais foram as mais comuns.

O Observatório destacou um aumento na violência política durante os períodos eleitorais, especificamente de junho a outubro nos anos de eleição. Na Baixada Fluminense, a pesquisa registrou 65 execuções desde 2015, sendo que fora do período eleitoral ocorre um assassinato a cada 75,6 dias, enquanto que durante essas temporadas, a frequência sobe para um a cada 22,5 dias.

Os dados foram coletados a partir de notícias veiculadas na mídia e abrangem não apenas políticos e candidatos, mas também militantes, cabos eleitorais e líderes comunitários. A pesquisa foi realizada em colaboração com laboratórios acadêmicos da Universidade Federal Fluminense e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Os pesquisadores alertam para a grave situação da violência política no estado, sugerindo que a Justiça Eleitoral deve ser mais rigorosa na apuração de vínculos criminais de candidatos, especialmente os ligados à segurança pública. A proposta inclui a criação de um período de afastamento obrigatório para agentes de segurança que desejam se candidatar a cargos políticos.

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