Uma maternidade pública na zona sul do Rio de Janeiro se destacou no atendimento a famílias enlutadas, especialmente após a perda de bebês durante a gestação, no parto ou nos primeiros dias de vida. Em outubro, mês que marca a conscientização sobre o luto gestacional, neonatal e infantil no Brasil, a Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promoveu uma apresentação sobre suas práticas de acolhimento, que têm sido aprimoradas ao longo dos últimos 15 anos.
Recentemente, entrou em vigor uma nova política de humanização que visa proporcionar um atendimento respeitoso às famílias que enfrentam essa dura experiência. A política foi implementada em agosto e oferece diretrizes para maternidades públicas e privadas, permitindo que as famílias tenham momentos significativos de despedida, como fotografias e a coleta de impressões digitais, além de registrar o nome do bebê na certidão de óbito.
Um espaço especial dentro da maternidade, conhecido como “morge”, é reservado para essas despedidas, oferecendo um ambiente mais acolhedor. Nesse local, as famílias podem se despir, em condições que muitas vezes não estão disponíveis em outras unidades de saúde. Para proporcionar um ambiente afetivo, a maternidade decorou o espaço com mantas, roupas de recém-nascido e corações de pano, que servem como lembranças para as famílias.
A equipe da UFRJ se compromete a garantir que mães e famílias tenham o tempo necessário para se despedir. No caso de bebês que estão na UTI em condição grave, a equipe já propõe que o bebê seja colocado no colo da mãe, oferecendo um momento mais íntimo antes do falecimento.
A responsável pela Divisão de Gestão do Cuidado, mencionou a intenção de ampliar o espaço do morge, atualmente considerado inadequado pela demanda. Além disso, as mães têm a opção de usufruir de privacidade durante seus momentos de luto, seja através de divisórias na UTI ou de espaços na enfermaria.
Com a nova política, mães que anteriormente não tinham a possibilidade de registrar nomes de bebês natimortos agora podem fazê-lo, refletindo uma mudança significativa no acolhimento.
Enquanto a Maternidade da UFRJ já implementa diversas ações para o suporte psicológico e emocional, existem desafios logísticos, como a necessidade de ampliar os serviços de atendimento psicológico pós-alta, que atualmente estão limitados às instalações da unidade.
As iniciativas de humanização incluem também a musicoterapia, com o objetivo de aliviar a carga emocional enfrentada tanto por pacientes quanto pela equipe de saúde. Além de promover um ambiente de acolhimento, a legislação também enfatiza a formação de profissionais de saúde sobre o manejo do luto materno, buscando promover uma mudança de mentalidade nas abordagens do atendimento.
A Maternidade da UFRJ atende a seis unidades básicas de saúde e também oferece serviços de pré-natal para gestantes de alto risco, além de lidar com partos de emergência, mostrando sua importância no sistema de saúde do estado do Rio de Janeiro.



