quinta-feira, março 26, 2026
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Trump afirma que os EUA vivem uma “era de ouro” em discurso do Estado da União

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o discurso sobre o estado da União nesta terça-feira (24) para afirmar que iniciou uma “era de ouro” para o país, numa tentativa de transmitir sucesso enquanto enfrenta queda nas taxas de aprovação e crescentes sinais de insatisfação entre eleitores antes das eleições de meio de mandato em novembro.

Atendendo a pedidos de parlamentares republicanos preocupados com a manutenção da maioria no Congresso, Trump dedicou a primeira hora do pronunciamento à economia. Na fala, ele destacou medidas e resultados como desaceleração da inflação, altas recordes no mercado acionário, cortes fiscais e redução de preços de medicamentos.

Analistas e pesquisas, porém, indicam que esses argumentos podem não ser suficientes para apaziguar a preocupação pública com o custo de vida. Pesquisas indicam que muitos eleitores responsabilizam o presidente por não ter implementado medidas mais eficazes para reduzir o impacto dos preços, mesmo após sua campanha contínua sobre o tema.

No lado democrata do plenário, dezenas de assentos permaneceram vazios. A ausência de vários legisladores foi atribuída à participação em manifestações contrárias a Trump realizadas do lado de fora do local do discurso.

O pronunciamento ocorreu em um momento conturbado para a administração, com índice de desaprovação majoritário nas pesquisas, apreensão sobre o Irã e recuo em parte da política tarifária do governo após decisão da Suprema Corte que derrubou a maioria dos impostos de importação. Antes da sessão, Trump havia criticado a corte, mas durante o discurso procurou minimizar o efeito da decisão sobre sua estratégia comercial.

Ao longo da apresentação, o presidente teve postura mais contida que o habitual, seguindo em grande parte o roteiro preparado. Ainda assim, houve episódios de confronto com legisladores ao tratar de medidas contra a imigração.

No campo internacional, Trump reservou pouco tempo à política externa. Ele reiterou ter encerrado conflitos militares, afirmação que tem sido considerada exagerada por observadores. A Ucrânia teve menção mínima no discurso, apesar de a data marcar quatro anos da invasão russa. Não houve posicionamentos detalhados sobre China ou sobre questionamentos envolvendo a Groenlândia.

Sobre o Irã, Trump não apresentou um plano claro. Indicou preferência por resolver disputas por vias diplomáticas, mas também advertiu que não permitiria que o país desenvolva arma nuclear, em meio a sinais de possível escalada militar contra Teerã.

No tema da imigração, o presidente retomou retórica alinhada à campanha de 2024, responsabilizando migrantes sem documentos por aumento da criminalidade — uma ligação que estudos não confirmam. O episódio dos dois cidadãos americanos mortos por agentes federais mascarados em Minneapolis intensificou o debate sobre as ações de aplicação da lei.

Em outro front, Trump voltou a atacar os democratas por se oporem a exigências de identificação do eleitor, batalha legislativa que os adversários classificam como medida que poderia restringir o acesso às urnas.

Durante o discurso, o deputado democrata Al Green foi removido da sala por exibir um cartaz referindo-se a um vídeo divulgado nas redes sociais que associava figuras públicas a macacos. O vídeo, posteriormente retirado da conta oficial da Casa Branca, foi atribuído pelo governo a um funcionário. Green já havia sido expulso em ocasião semelhante no ano anterior.

Outras manifestações no plenário foram mais discretas. Deputados democratas exibiram mensagens e roupas com referências a temas como acessibilidade e saúde. Cerca de uma dúzia de supostas vítimas do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein foram convidadas pelos democratas e acompanhavam o evento, enquanto várias parlamentares usaram broches pedindo divulgação de arquivos relacionados ao caso.

Pesquisas recentes, incluindo levantamento Reuters/Ipsos, apontam que apenas 36% dos norte-americanos aprovam a gestão econômica do presidente. Os democratas esperam recuperar o controle das duas casas do Congresso nas eleições de novembro, quando estarão em disputa as 435 cadeiras da Câmara e aproximadamente um terço das vagas no Senado.

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