sábado, março 28, 2026
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Trabalhadores de aplicativos: maiores ganhos, mas jornadas de trabalho mais extensas

Em 2024, os trabalhadores que atuam por meio de aplicativos registraram uma renda média mensal de R$ 2.996, uma alta de 4,2% em comparação aos que não utilizam essas plataformas, que tiveram rendimento médio de R$ 2.875. Apesar dessa diferença positiva, a desigualdade de ganhos já foi maior, alcançando 9,4% em 2022.

Essas informações estão contidas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo revela que, embora os trabalhadores de aplicativos tenham uma renda superior, seu tempo de trabalho é maior; no ano passado, esses profissionais dedicaram 44,8 horas por semana, enquanto os demais trabalharam 39,3 horas.

A análise ainda mostra que, apesar da renda maior, os valores por hora para os trabalhadores com plataformas se situam em R$ 15,4, inferiores aos R$ 16,8 dos não plataformizados. Assim, para obter uma renda superior, os que atuam por aplicativos são obrigados a trabalhar mais horas.

O levantamento identificou 1,7 milhão de trabalhadores que se enquadram no perfil “plataformizado”, abrangendo diversas atividades, como transporte de passageiros e entregas de comida e serviços.

Em relação ao nível de escolaridade, a Pnad indicou que, entre aqueles com ensino completo até o médio, os plataformizados tiveram ganhos superiores à média nacional. Entretanto, entre os que têm ensino superior, a situação se inverte, com uma queda de 29,8% na renda dos trabalhadores por aplicativo em comparação aos demais.

O estudo também evidenciou que uma parcela significativa dos trabalhadores por plataforma enfrenta a informalidade. Aproximadamente 71,7% destes não têm registro formal, enquanto entre os não plataformizados a taxa é de 43,8%. Além disso, a cobertura previdenciária é maior entre os trabalhadores formais: apenas 35,9% dos plataformizados contribuem para a previdência social, em comparação a 61,9% dos não plataformizados.

No segmento de motoristas, 1,9 milhão de pessoas exercem a profissão no Brasil, com 43,8% atuando por meio de aplicativos. Estes motoristas apresentaram uma renda média mensal de R$ 2.766, superando os R$ 2.425 dos motoristas que não utilizam plataformas. A carga horária semanal dos motoristas de aplicativos foi, em média, de 45,9 horas, cinco horas a mais que os motoristas não plataformizados.

A análise sobre motociclistas revelou que 1,1 milhão de pessoas atuam na função, sendo 33,5% por meio de aplicativos, um aumento em relação a 2022. Os motociclistas que utilizam plataformas obtiveram um rendimento médio de R$ 2.119, maior do que os R$ 1.653 dos não plataformizados.

A informalidade também é evidente entre os motociclistas, com 84,3% dos que atuam por aplicativos sem registro formal, comparados a 69,3% dos demais.

Por fim, a discussão sobre o vínculo empregatício dos trabalhadores por aplicativos continua em destaque, especialmente no Supremo Tribunal Federal, que deve retomar o julgamento do tema em novembro. A Procuradoria-Geral da República já se manifestou contra o reconhecimento do vínculo por parte do tribunal.

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