sábado, março 28, 2026
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Tensão entre Irã e Estados Unidos se intensifica no Oriente Médio

As trocas de ameaças entre Estados Unidos e Irã elevaram a tensão no Oriente Médio, com possíveis reflexos no preço do petróleo e na economia de países da região.

A Marinha dos EUA deslocou para a região o porta-aviões USS Abraham Lincoln, entre os maiores do arsenal americano. A movimentação foi acompanhada de advertências de Washington sobre a possibilidade de ações militares caso Teerã não aceite compromissos relacionados ao desenvolvimento de armamentos nucleares.

Em junho de 2025, instalações militares e nucleares iranianas foram atacadas por forças americanas e israelenses, segundo registros da época. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra alvos em Israel.

Autoridades iranianas anunciaram exercícios militares no Estreito de Ormuz, via de saída do Golfo Pérsico por onde passam cerca de 20% das exportações petrolíferas globais. Analistas alertam que uma eventual restrição ao tráfego no estreito, frequentemente considerada como retaliação em crises anteriores, seria um dos principais vetores de alta para os preços internacionais do petróleo.

O Irã possui as terceiras maiores reservas petrolíferas do mundo e figura entre os cinco maiores produtores. Outros membros da Opep que têm costa no Golfo Pérsico incluem Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Economistas consultados pela agência Reuters estimaram que a mera possibilidade de ataques ao Irã já elevou o valor do barril em até quatro dólares.

A crise interna no Irã ampliou a pressão externa. No início de 2026, protestos contra o regime teocrático se intensificaram, motivados por reivindicações por liberdade política e por insatisfações com o custo de vida, agravado por sanções econômicas. Organizações de defesa dos direitos humanos contabilizam mais de 6 mil mortos e mais de 40 mil detidos nos confrontos com forças de segurança. O governo iraniano apresenta números inferiores, e qualificou parte dos participantes como terroristas.

Teerã atribuiu parte das manifestações a interferência estrangeira e adotou medidas de repressão que, segundo relatórios, incluíram bloqueio temporário da internet. Fontes da Reuters indicam que a administração americana avalia opções que vão desde ações direcionadas contra lideranças e forças de segurança iranianas até outras medidas para pressionar o regime. O Irã, por sua vez, ameaçou retaliar atacando bases norte-americanas em países vizinhos em caso de intervenção externa.

Em resposta à repressão, países europeus aprovaram novas sanções contra autoridades e instituições iranianas e passaram a classificar a Guarda Revolucionária Iraniana como organização terrorista.

Informações: Reuters, RTP e Lusa.

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