sexta-feira, março 27, 2026
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Temporada paralímpica em foco: atletismo e judô se destacam

O ano de 2025 marcou o início do ciclo paralímpico rumo a Los Angeles-2028 com resultados expressivos em competições internacionais e episódios de tensão nos bastidores, em especial envolvendo o tênis de mesa e a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM).

No inverno, Cristian Ribera conquistou o título mundial de esqui cross-country na prova sprint (1 km) em Trondheim, na Noruega. O rondoniense surge como uma das esperanças brasileiras para os Jogos Paralímpicos de Inverno, programados para Milão e Cortina, em março de 2026.

Em maio, a seleção brasileira de tênis em cadeira de rodas da classe quad alcançou sua primeira final na Copa do Mundo em Antalya, na Turquia, e garantiu a prata diante da Holanda. Na categoria júnior, o país ficou em quarto lugar, com destaque para Vitória Miranda e Luiz Calixto, de Minas Gerais.

Vitória e Luiz também tiveram sucesso nos Grand Slams juniores. Vitória conquistou títulos de simples e duplas femininas (dupla com a belga Luna Gryp) no Aberto da Austrália e em Roland Garros. Luiz ficou com o título de duplas masculinas na Austrália ao lado do norte-americano Charlie Cooper. Ambos encerraram 2025 em sua última temporada entre os juniores.

O Mundial de judô, realizado em Astana, no Cazaquistão, também em maio, foi outro ponto alto para o Brasil. A delegação subiu ao pódio 13 vezes, sendo cinco ouros, e terminou liderando o quadro de medalhas pela primeira vez na história. Entre os títulos, a paulista Alana Maldonado alcançou o tricampeonato na categoria até 70 kg da classe J2 (baixa visão) e o paraibano Wilians Araújo conquistou o bicampeonato na categoria acima de 95 kg da classe J1 (cego total).

A final totalmente brasileira na categoria acima de 70 kg da classe J2 terminou com Rebeca Silva no lugar mais alto do pódio. Outros ouros inéditos vieram com a carioca Brenda Freitas (até 70 kg, J1) e a potiguar Rosi Andrade (até 52 kg, J1).

No Mundial de canoagem, em Milão, Fernando Rufino foi o único campeão brasileiro, ao vencer os 200 m da classe VL2, com o paranaense Igor Tofalini em segundo lugar. Ao todo, o país conquistou cinco pódios na Itália.

O Mundial de ciclismo de estrada, em Ronce (Bélgica), teve o paulista Lauro Chaman assegurando o tricampeonato na prova de resistência da classe C5. No ciclismo de pista, disputado no Velódromo do Rio de Janeiro em outubro, a equipe nacional somou nove medalhas, com a paulista Sabrina Custódia obtendo o ouro e estabelecendo recorde no contrarrelógio (1 km) da classe C2.

Em setembro, o Mundial de natação em Singapura teve a Itália no topo com 18 ouros. O Brasil terminou em sexto lugar, com 13 títulos e 39 pódios. O mineiro Gabriel Araújo (classe S2) e a pernambucana Carol Santiago (S12) foram os maiores nomes da delegação, com três ouros cada.

Outubro foi mês de conquista histórica no Mundial de atletismo em Nova Déli. A seleção brasileira liderou o quadro de medalhas com 15 ouros, 20 pratas e nove bronzes, superando a China após três edições em segundo lugar. Entre os destaques, Jerusa Geber tornou-se tetracampeã dos 100 m rasos da classe T11 e alcançou 13 pódios em Mundiais, ultrapassando a marca anterior de outra atleta brasileira na mesma categoria.

No Mundial de halterofilismo, também em outubro, a equipe feminina brasileira conquistou a medalha de ouro por equipes no Cairo. Individualmente, Mariana d’Andrea e Tayana Medeiros ficaram com a prata em suas categorias (até 73 kg e 86 kg, respectivamente), enquanto Lara Lima garantiu o bronze na até 41 kg.

A modalidade do tênis de mesa ganhou espaço na agenda nacional não por resultados, mas por conflito institucional. Em julho, nove atletas paralímpicos — detentores de 16 medalhas paralímpicas no total — enviaram um ofício ao Ministério do Esporte apontando insatisfações com normas internas da CBTM. Eles questionaram a exigência de destinarem entre 30% e 60% do Bolsa-Pódio para custear participação em competições internacionais e a obrigação de incluir pelo menos dez eventos no exterior no planejamento anual para que o plano fosse aprovado pela confederação, condição para receber o benefício federal.

No documento, os atletas solicitaram a intervenção do ministério, mudanças no critério de avaliação dos planos esportivos e a adoção de parâmetros técnicos objetivos. O Ministério do Esporte informou que a norma vigente do Programa Bolsa Atleta não prevê as exigências impostas pela CBTM. A confederação revogou a medida contestada, mas a ruptura entre atletas e entidade permanece sem resolução definitiva.

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