As taxas médias de juros permaneceram constantes em junho de 2023, registrando uma média de 31,5% ao ano para todas as contratações de crédito, que incluem tanto o crédito livre quanto o direcionado, destinado a famílias e empresas. Essa taxa apresentou uma variação negativa de 0,1 ponto percentual (p.p.), porém, em comparação com o mesmo período do ano anterior, houve um aumento de 3,6 p.p., conforme as Estatísticas Monetárias e de Crédito publicadas pelo Banco Central (BC).
O aumento nas taxas de juros bancárias está alinhado com o ciclo de elevação da taxa Selic, que atualmente está fixada em 15% ao ano. Essa taxa é a principal ferramenta do BC para gerenciar a inflação, que tem sido um foco importante na política econômica.
O BC atribui a necessidade de manutenção da alta dos juros à intenção de reduzir a demanda, frenando assim a inflação. Juros mais elevados elevam o custo do crédito e incentivam a poupança, resultando em menores níveis de consumo e, consequentemente, uma pressão descendente sobre os preços. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá novamente para discutir a Selic nos dias 29 e 30 deste mês.
As estatísticas mais recentes também mostram uma estabilidade no spread bancário, que, em junho, ficou em 20,4 p.p., refletindo um aumento de 1,8 p.p. ao longo de um ano.
Em relação ao crédito livre para famílias, a taxa média subiu para 58,3% ao ano, mantendo-se estável em relação ao mês anterior e marcando um aumento de 5,7 p.p. em um ano. Destaque para o cheque especial, que teve um aumento de 2,5 p.p. em junho, alcançando 137,5% ao ano, e o crédito pessoal não consignado, que subiu 4,2 p.p. no mesmo período.
Por outro lado, as taxas do cartão de crédito rotativo diminuíram em 7,9 p.p. no mês, embora tenham registrado um aumento de 12,7 p.p. em 12 meses, atingindo 441,4% ao ano. O crédito rotativo é acionado quando o consumidor paga menos que o total da fatura, acarretando juros sobre o montante restante. Após 30 dias, a dívida é parcelada, e, nesse caso, a taxa de juros também viu um acréscimo de 1,4 p.p., atingindo 182,5% ao ano.
Para as empresas, a taxa média de crédito livre foi estabelecida em 24,3% ao ano, representando uma leve elevação de 0,1 p.p. no mês e um aumento de 3,5 p.p. em 12 meses.
No que diz respeito ao crédito direcionado, a taxa média para pessoas físicas foi de 11,1% ao ano, com uma pequena redução de 0,2 p.p. mensal, apesar de um aumento de 1 p.p. em um ano. Para as empresas, a taxa caiu 0,6 p.p. em relação ao mês anterior, alcançando 14,1% ao ano.
O total de concessões de crédito em junho foi de R$ 636,9 bilhões, refletindo uma queda de 3,1% em relação ao mês anterior, com uma diminuição de 7,5% para pessoas jurídicas e uma expansão de 1,4% para famílias. Comparando a um ano atrás, as concessões apresentaram um crescimento nominal de 13,9%.
O estoque total de empréstimos no Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 6,685 trilhões, crescimento de 0,5% em relação ao mês anterior, impulsionado principalmente pela alta no crédito destinado às empresas e às famílias.
Por fim, o endividamento das famílias foi de 49% em maio, com um ligeiro aumento em comparação com o mês anterior e um crescimento de 1,4 p.p. em 12 meses. Excluindo o financiamento imobiliário, essa relação caiu para 30,7%. O comprometimento da renda, que mede a proporção da renda destinada ao pagamento de dívidas, foi de 27,8% em maio, apresentando um aumento tanto mensal quanto anual.



