domingo, março 29, 2026
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SUS é responsável por 60% dos exames de imagem no Brasil, aponta pesquisa

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi responsável por aproximadamente 60% dos principais exames de imagem realizados no Brasil em 2023, totalizando mais de 101 milhões de procedimentos. Contudo, a proporção de exames por 1 mil usuários revela que aqueles com plano de saúde ainda têm maior acesso, apesar dos avanços registrados entre 2014 e 2023.

Em 2023, para cada 1 mil usuários do SUS, foram realizados cerca de 634,41 exames, enquanto no setor privado esse número chegou a cerca de 1.323. Os dados são provenientes do Atlas da Radiologia no Brasil 2025, um estudo elaborado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem com informações do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O levantamento contempla cinco tipos de exames: raio-x (exceto odontológico), mamografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

O estudo considera uma base de 160,4 milhões de brasileiros atendidos pelo SUS e 51,2 milhões com plano de saúde em 2023. A partir desses números, foi calculada a densidade dos exames e criado um Indicador de Desigualdade Público/Privado (IDPP).

A análise comparativa anual indica um aumento na densidade de exames no SUS e uma redução no IDPP em quatro tipos de exames avaliados: raio-x, ultrassonografia, tomografia e ressonância. No caso das mamografias, embora a desigualdade tenha diminuído entre 2014 e 2023, ainda se observa que usuários de planos de saúde realizam 3,54 vezes mais mamografias do que aqueles do SUS.

Em relação à periodicidade dos exames, o Ministério da Saúde recomenda a realização a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos, enquanto o rol da ANS garante mamografias de rastreio a partir dos 40 anos.

A menor desigualdade é observada no raio-x, com um IDPP de 1,36, e a maior está na ressonância magnética, onde o exame é realizado 13,13 vezes mais entre beneficiários de planos. Apesar disso, a densidade de ressonâncias no SUS aumentou significativamente entre 2014 e 2023, passando de 6,07 para 13,80 exames a cada 1 mil pessoas, resultando em uma redução de 30% no IDPP.

O Atlas também fornece dados sobre a distribuição de equipamentos para a realização dos exames, evidenciando disparidades regionais e variações de acordo com a complexidade. Em todo o Brasil, existem cerca de 27 aparelhos de ultrassom e 16 de raio-x para cada 100 mil habitantes; no entanto, o número é menor para tomógrafos, mamógrafos e ressonâncias.

A Região Sudeste possui a maior quantidade de equipamentos disponíveis, mas a densidade de tomógrafos e mamógrafos é superior no Centro-Oeste. O Nordeste enfrenta desafios significativos, com acesso limitado a tomógrafos e apenas 1,1 aparelho de ressonância para cada 100 mil habitantes.

A Região Norte, por sua vez, apresenta a menor oferta de ultrassons, mamógrafos e raios-x. No Acre, por exemplo, apenas 7 mamógrafos atendem a rede SUS, resultando em uma densidade de menos de 1 aparelho para 100 mil usuários, enquanto na rede privada essa relação é de 35.

O estudo também mensurou o IDPP relacionado à oferta de equipamentos, com a maior discrepância encontrada na disponibilidade de ultrassons, que são 3,74 vezes mais frequentes em serviços privados do que no SUS.

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