quinta-feira, março 26, 2026
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Sul Global se une para promover maior acesso a vacinas pós-pandemia

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), coordenadora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Vacinas dos Brics, está empenhada em alinhar os esforços de pesquisa sobre vacinas entre os países do grupo, visando garantir o acesso das populações do Sul Global. A necessidade de uma ação coletiva ficou evidente durante a pandemia de covid-19, quando a falta de suprimentos essenciais levou nações ricas a monopolizarem os recursos, deixando os países mais pobres em desvantagem.

Até março de 2023, foram aplicadas mais de 13,2 bilhões de doses de vacinas globalmente, mas menos de 1 bilhão dessas doses foi destinada à África. De acordo com dados do Our World in Data, enquanto os países de alta e média alta renda conseguiram vacinar um habitante por dose até agosto de 2021, os países de média baixa alcançaram essa marca em fevereiro de 2022. Países de baixa renda encerraram a emergência em saúde pública em maio de 2023 com apenas 40 doses para cada 100 habitantes.

A colaboração entre os países do Brics é um passo importante para a criação de uma coalizão que visa o desenvolvimento e a produção local de vacinas, proposta pelo Brasil durante a Cúpula do G20 no ano passado. Está em andamento a mobilização dos institutos de pesquisa de cada país para criar um repositório digital de projetos e coordenar iniciativas que atendam aos interesses comuns, reconhecendo as desigualdades entre as nações.

A expectativa é que acordos sejam firmados para garantir financiamento às inovações em saúde. O Banco dos Brics e importantes doadores internacionais, como a Fundação Rockefeller e a Fundação Bill e Melinda Gates, desempenharão um papel crucial nesse contexto. Além disso, há a possibilidade de estabelecer um novo órgão multilateral para financiar a pesquisa científica.

O Brasil, por meio da Fiocruz, lidera esta iniciativa provida pela robustez de seu sistema de vacinação e sua experiência em colaborações internacionais, especialmente na América Latina e em países africanos de língua portuguesa. Novos escritórios serão inaugurados em Portugal e na Etiópia, com o objetivo de fortalecer as relações sobre saúde e vacinação.

A Fiocruz também lidera a rede Pasteur de Laboratórios e um comitê estratégico da Organização Panamericana de Saúde, focando na organização de um consórcio para desenvolvimento e produção de vacinas e medicamentos. O fortalecimento das relações internacionais no campo científico é visto como fundamental para superar desafios estruturais e transformar a produção científica em inovações.

Em agosto, a instituição deverá inaugurar o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde, que irá servir como infraestrutura para projetos de saúde, promovendo a aceleração de desenvolvimento e produção em benefício não apenas do Brasil, mas também de outros países.

A parceria entre os Brics para eliminar doenças socialmente determinadas é parte dos esforços coletivos, conforme delineado na Declaração do Rio, que visa mobilizar recursos e fortalecer a cooperação em saúde, visando reduzir a incidência de doenças exacerbadas pela pobreza e desigualdade social no Sul Global.

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