sábado, março 28, 2026
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Sobretaxa de 40% persiste como obstáculo nas relações comerciais com os EUA, afirmam entidades

Os Estados Unidos anunciaram a suspensão de uma tarifa de 10% sobre 238 produtos, o que, embora represente uma abertura nas negociações, traz apenas um alívio limitado para muitos setores. A principal preocupação continua sendo a sobretaxa de 40% implementada no fim de julho pelo governo anterior.

Essa nova medida beneficiará diretamente 80 itens brasileiros exportados aos Estados Unidos, mas a maioria dos produtos ainda enfrenta a pesada tarifa extra. Representantes do setor afirmam que é necessário intensificar o diálogo diplomático para eliminar completamente essas tarifas e restaurar as condições de competitividade para os exportadores brasileiros.

Entre os 80 itens que podem ser isentos de tarifas, estão três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará. No entanto, 76 outros produtos ainda estão sujeitos à sobretaxa de 40%, incluindo cafés não torrados e cortes de carne bovina.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou a suspensão da tarifa de 10% como um gesto positivo, mas não suficiente. Segundo a análise da CNI, os itens beneficiados representam cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações para 2024, correspondendo a aproximadamente 11% do total exportado pelo Brasil para os EUA. A entidade destacou que a manutenção da sobretaxa de 40% prejudica a competitividade do Brasil em relação a outros países que não enfrentam essas barreiras.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também classificou a redução tarifária como um avanço limitado, ressaltando que itens importantes como carnes e café continuam sob efeito da sobretaxa.

No setor de carnes, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) registrou uma reação positiva, afirmando que a medida traz maior previsibilidade ao comércio bilateral e reforça a confiança nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. De acordo com a Abiec, a tarifa sobre a carne bovina caiu de 76,4% para 66,4% com a suspensão da tarifa de 10%.

No que diz respeito ao café, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mantém cautela, exigindo uma análise técnica detalhada sobre as implicações da redução da tarifa, especialmente em um contexto de acirrada concorrência com outros grandes exportadores.

Embora a tarifa sobre os grãos brasileiros tenha diminuído de 50% para 40%, produtos colombianos e vietnamitas não enfrentam tarifas similares, o que acentua o desafio competitivo para o café brasileiro. A busca por condições comerciais mais favoráveis continua sendo uma prioridade para o setor.

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