segunda-feira, março 30, 2026
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Rio: Justiça bloqueia mais de R$ 900 milhões do crime organizado em 2025

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) encerrou 2025 com pedido ao Judiciário para o bloqueio de R$ 906.265.077,21 em ativos vinculados a pessoas e organizações criminosas, resultado das ações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ao longo do ano.

O Gaeco também ampliou métodos de investigação, intensificou o intercâmbio de informações sobre crimes financeiros com alcance nacional e transnacional e firmou parcerias estratégicas. Em março, foi celebrado um Acordo de Cooperação Técnica com a Polícia Civil para fortalecer a aplicação do confisco de bens em investigações patrimoniais.

No total, foram ajuizadas 70 denúncias contra 767 pessoas, entre elas 120 agentes públicos. As investigações subsidiaram ordens judiciais que permitiram 39 operações para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão.

Entre as ações do ano estão mandados de busca e apreensão relacionados ao homicídio do advogado Rodrigo Crespo; operações contra grupo responsável por furtos de petróleo bruto em dutos da Transpetro, com atuação no Rio de Janeiro e em Minas Gerais; e participação na Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo contra esquema bilionário de adulteração e distribuição irregular de combustíveis.

Foram apresentadas denúncias contra nove integrantes do chamado novo “Escritório do Crime”, incluindo três policiais militares. Também foram denunciados membros da nova cúpula do jogo do bicho — entre eles Rogério de Andrade, Flávio da Silva Santos (conhecido como Pepé ou Flávio da Mocidade) e Vinicius Drumond — e 67 integrantes da facção Comando Vermelho.

Servidores públicos também responderão por crimes como peculato, corrupção, fraudes em licitação, lavagem de capitais e atuação ligada a atividades de milícia. O Gaeco denunciou 22 agentes do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) por incitação de internos do Centro de Socioeducação (Cense) Ilha do Governador à depredação da unidade. Houve ainda denúncias contra servidores e engenheiros do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) por esquema de corrupção na emissão irregular de licenças ambientais; contra três bombeiros militares de Cabo Frio; e contra dois ex-secretários municipais de Silva Jardim por irregularidades na emissão de licenças e fraudes em licitação.

Em medidas cautelares, foram obtidas decisões favoráveis para manutenção da custódia do contraventor Rogério de Andrade no Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS) e do miliciano Luís Antônio da Silva Braga, conhecido como Zinho, no Presídio Federal de Segurança Máxima em Brasília (DF). Também foi confirmada, em segunda instância, a sentença de pronúncia que levou o bicheiro Bernardo Bello e o comparsa Wagner Dantas Alegre a julgamento pelo Tribunal do Júri pelo homicídio de Alcebíades Paes Garcia, o Bid, assassinado ao chegar em casa após os desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Bid era irmão de Waldemir Paes Garcia, o Maninho, que também foi assassinado em Jacarepaguá.

Além das operações tradicionais, o Gaeco criou o CyberGaeco para acompanhar a crescente atuação de organizações criminosas no ambiente digital. A nova estrutura tem foco em crimes que envolvem tecnologia, criptomoedas e lavagem de dinheiro, integrando equipes especializadas às investigações.

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