O Rio de Janeiro completa 461 anos neste domingo. Fundada em 1º de março de 1565 pelo capitão Estácio de Sá, a cidade, batizada originalmente como São Sebastião do Rio de Janeiro, tem raízes que precedem a chegada dos portugueses.
A região preserva heranças dos povos indígenas, especialmente dos tupinambás e dos carijós, cujo topônimo deu origem ao gentílico “carioca”. Registros de expedições portuguesas no início do século 16, incluindo viagens de 1501 e a segunda incursão de 1503 com Gonçalo Coelho e Américo Vespúcio, registraram a paisagem local como notavelmente atrativa, contribuindo para a construção de um imaginário de paraíso.
O apelido “Cidade Maravilhosa” passou a ser amplamente conhecido a partir da marchinha composta por André Filho em 1934. A canção virou sucesso popular e foi oficializada como hino do Rio em 1960, consolidando a expressão como cartão-postal cultural.
A música acompanha a trajetória do Rio como palco de importantes movimentos culturais. A bossa nova, formada por nomes como Tom Jobim e Vinicius de Moraes, ajudou a projetar internacionalmente a imagem de um Rio praiano, boêmio e romântico. A presença da cidade como capital do país por quase dois séculos fomentou uma efervescência artística que expôs também suas contradições sociais e geográficas.
O samba, gênero nascido da mistura de influências africanas e brasileiras, assumiu papel central na identidade carioca. Um marco dessa história ocorreu em novembro de 1916, quando Donga apresentou a peça “Pelo Telefone” na Festa da Penha; o manuscrito integra o acervo da Biblioteca Nacional. Ao longo do século 20, o samba se consolidou como expressão do cotidiano suburbano e como forma de resistência cultural.
Nas décadas seguintes, o Rio continuou a produzir ritmos que refletem diferentes camadas sociais. O funk carioca, com canções como a de Cidinho e Doca, tornou-se veículo de denúncias sobre desigualdade e negligência nas favelas e periferias, passando a representar uma face contemporânea da cidade. Exposições recentes, como a realizada no Museu de Arte do Rio, evidenciam o reconhecimento institucional desse movimento.
Outras composições, como “Rio 40º” de Fernanda Abreu, retratam a cidade em sua ambivalência — beleza e crise convivendo no mesmo espaço. Essa pluralidade musical reforça a ideia de que a identidade carioca é resultado de encontros e sobreposições culturais.
O aniversário serve para lembrar essa diversidade. Do alto dos morros às praias de Ipanema, passando pelos subúrbios, a música continua a mapear as trajetórias sociais do Rio, enquanto pontos símbolos como as praias dedicadas a Iemanjá e o Cristo Redentor mantêm-se como referências coletivas de esperança e pertença.



