quinta-feira, março 26, 2026
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Revolta popular no Panamá provoca intervenção do Estado e estado de sítio

**Panamá Enfrenta Prolongados Protestos e Greves Contra Reformas**

Nos últimos dois meses, o Panamá tem sido palco de uma série de protestos, greves e bloqueios de rodovias, refletindo um descontentamento popular com diversas questões, incluindo uma reforma da previdência aprovada em março pelo governo de José Raúl Mulino.

Em resposta às manifestações e ao fechamento de estradas, o governo instaurou, no dia 20 de maio, um estado de urgência na província de Bocas del Toro, epicentro dos protestos. Essa medida, análoga a um estado de sítio, possibilitou a detenção de pessoas sem mandado judicial e a suspensão de garantias constitucionais, como o direito à liberdade de reunião e de expressão.

O estado de urgência foi encerrado no dia 29 de maio, deixando como consequência pelo menos dois mortos, incluindo uma criança, além de aproximadamente 370 detidos e 600 feridos, segundo dados oficiais e de organizações de direitos humanos locais.

A crise política no Panamá, um país de 4,4 milhões de habitantes, começou a se intensificar há cerca de dois anos e tem se agravado com um aumento na repressão. O contexto envolve um ambiente econômico difícil, caracterizado por crescente pobreza e altos custos de vida.

Mesmo com o fim do estado de urgência, o governo mantém em funcionamento a Operação Omega, criada para enfrentar os protestos, que inclui restrições nas telecomunicações. O fornecimento de internet foi cortado, mas os serviços foram restabelecidos apenas no dia 30 de maio.

Os protestos, liderados por sindicatos contrários à reforma da previdência, que alegam que as mudanças reduzirão as pensões e aumentarão as contribuições dos trabalhadores, têm atraído também a participação de estudantes, professores e grupos indígenas. Em contrapartida, o governo defende que as reformas visam garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário, enquanto rotula os manifestantes como “vandais”.

Nos últimos dias, houve relatos de depredações de prédios públicos e invasões em comércios e no aeroporto de Changuinola, o que tem impactado o setor turístico, uma das principais fontes de renda da região.

O governo afirmou que não se pode permitir que grupos políticos irresponsáveis usem a população como instrumento de pressão. Segundo analistas, a repressão aos protestos apresenta características autoritárias, reminiscentes de períodos históricos de opressão do país.

O Sindicato Único Nacional de Trabalhadores da Construção e Similares (Suntracs) tem enfrentado forte repressão, com bloqueios de contas e perseguições a líderes sindicais. As paralisações de professores e trabalhadores do setor bananeiro, que se intensificaram no final de abril, têm destaque nas mobilizações contra a reforma.

As demissões em massa de trabalhadores da Chiquita Brands, que ocorreram após greves, serviram apenas para aumentar a tensão. A situação é ampliada pela suspensão das atividades da mineradora canadense First Quantum, que gerou protestos de grupos indígenas e estudantes por preocupações ambientais.

Além disso, o debate sobre o futuro do Canal do Panamá, que foi transferido para o controle panamenho em 1999, e as reivindicações de figuras políticas dos EUA também contribuem para a atual agitação social, refletindo um acúmulo de insatisfações que vão além das reformas e tocam em questões de soberania e meio ambiente.

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