quarta-feira, abril 1, 2026
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Relatório alerta que guerra no Irã aumenta riscos ambientais e climáticos

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã completou um mês no fim de semana, e relatório do Observatório de Conflitos e Meio Ambiente (CEOBS) aponta aumento dos riscos ambientais e climáticos na região. O estudo indica ameaças à saúde pública, aos ecossistemas terrestres e marinhos, aos recursos naturais e aos aquíferos.

Segundo o CEOBS, mais de 300 incidentes com algum grau de dano ambiental foram identificados nas três primeiras semanas do conflito. O levantamento considera ocorrências no Irã, Iraque, Israel, Kuwait, Jordânia, Chipre, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã e Azerbaijão.

O relatório destaca que ataques a instalações industriais, residenciais e comerciais podem liberar poluentes, espalhar materiais de construção perigosos como o amianto e provocar incêndios que geram subprodutos tóxicos. Componentes de armas explosivas também liberam metais pesados no ambiente.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) registrou preocupação com o aumento da violência na região, apontando danos ambientais generalizados e pedindo a cessação das hostilidades.

Irã e Líbano apresentaram reclamações às Nações Unidas em que acusam Israel de ecocídio, termo usado para descrever destruição massiva e duradoura do meio ambiente causada por atos ilegais ou irresponsáveis.

Principais riscos apontados pelo CEOBS

– Riscos nucleares: houve ataques à instalação de enriquecimento de urânio em Natanz e às proximidades do reator de Bushehr, no Irã. Em retaliação foram atingidas áreas próximas a instalações israelenses no deserto do Negev e à Zona Industrial de Rotem, onde ocorre extração de urânio de depósitos de fosfato. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestaram preocupação com a possibilidade de uma emergência nuclear na região.

– Infraestrutura de combustíveis fósseis: dezenas de locais de produção, processamento e armazenamento foram danificados ou interrompidos em várias localidades, resultando em incêndios em depósitos de petróleo. Há risco contínuo de novos incêndios e derramamentos, além de emissões adicionais de gases do efeito estufa por vazamentos de metano e queima emergencial.

– Golfo Pérsico: embora a maioria das embarcações atacadas pelo Irã tenha sido de carga a granel e não petroleiros, persistem riscos de derramamentos e a capacidade de resposta é limitada. Portos e infraestrutura petrolífera costeira, como em Bandar Abbas, e embarcações militares afundadas também são potenciais fontes de poluição.

– Mar Vermelho: ataques de grupos houthis a navios provocaram incidentes graves de poluição. A continuidade das ações representa ameaça ao ecossistema marinho e à atividade pesqueira. Retaliações contra infraestrutura portuária e energética por Israel e pelos EUA também aumentam o risco de poluição costeira.

– Impactos globais: a alta nos preços e a menor disponibilidade de gás têm levado alguns países a reativar a queima de carvão no curto prazo. A redução nas exportações de ureia e fertilizantes eleva preços, o que tende a prejudicar a produção agrícola em países importadores, como Sudão e Somália, e a beneficiar receitas de exportação de outros produtores, inclusive a Rússia.

Custo climático do conflito

Estimativas do Climate and Community Institute apontam que o conflito no Irã gerou cerca de 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono em 14 dias. Mantido o ritmo inicial, as emissões mensais poderiam ultrapassar 10 milhões de toneladas.

Levantamento do Instituto Talanoa indica que, se o setor militar global fosse um país, seria o quinto maior emissor de gases de efeito estufa, emitindo aproximadamente 2,7 gigatoneladas de CO2 equivalente (GTCO2e), o que representa cerca de 5,5% das emissões globais. Na comparação por países, a lista inclui China (15,5 GTCO2e), Estados Unidos (5,9 GTCO2e), Índia (4,4 GTCO2e) e Rússia (2,6 GTCO2e). O estudo utiliza dados do Emissions Database for Global Atmospheric Research (EDGAR), do CEOBS, do Scientists for Global Responsibility (SGR) e do Global Carbon Project (GCP).

A disponibilidade e a transparência de dados sobre emissões militares são limitadas: em 2025, apenas seis países forneceram informações desagregadas — Alemanha, Bulgária, Chipre, Eslováquia, Hungria e Noruega.

O Instituto Talanoa ressalta que conflitos armados mantêm emissões estruturais e podem provocar picos intensos em curtos períodos. Como exemplos, cita as emissões associadas à guerra na Ucrânia, estimadas em 311,4 GTCO2e ao longo de quatro anos, e os ataques israelenses na Faixa de Gaza, com cerca de 33,2 MtCO2e em 15 meses.

O estudo aponta ainda que as emissões relacionadas a operações militares ocorrem ao longo de toda a cadeia logística: transporte de tropas e equipamentos, mobilização de veículos e armamentos, lançamento de mísseis e o consumo de energia necessário à produção de material bélico.

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