domingo, março 29, 2026
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Queda nas exportações de alimentos em agosto devido ao aumento de tarifas dos EUA

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) divulgou recentemente que as exportações de alimentos industrializados registraram uma queda de US$ 300 milhões em agosto, refletindo uma diminuição de 4,8% em comparação ao mês anterior. O valor total das exportações no mês foi de US$ 5,9 bilhões.

Os Estados Unidos, como principal destino, importaram US$ 332,7 milhões, o que representa uma redução significativa de 27,7% em relação a julho e de 19,9% em comparação a agosto de 2024. A queda deve-se ao aumento das tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros, além de uma antecipação nos embarques ocorrida em julho.

Os setores mais impactados pela desaceleração nas vendas para os EUA foram o de açúcares, que viu uma queda de 69,5%, o de proteínas animais, com uma redução de 45,8%, e as preparações alimentícias, que diminuíram 37,5%. A ABIA destacou que o mercado norte-americano enfrenta um ajuste após um crescimento generoso em julho, enquanto a China se afirma como um mercado relevante para as exportações brasileiras.

No cenário inverso, o México aumentou suas importações de produtos brasileiros, alcançando um total de US$ 221,15 milhões. Esse crescimento de 43% no volume de compras mostra que os exportadores estão buscando diversificar seus mercados, especialmente diante da queda nas vendas para os Estados Unidos.

A ABIA também projetou que o efeito cumulativo da tarifa nos EUA pode resultar em uma queda geral de 80% nas vendas para esse mercado entre agosto e dezembro, com uma perda total estimada em US$ 1,351 bilhão.

Por outro lado, a China, que é o maior comprador de alimentos industrializados do Brasil, importou US$ 1,32 bilhão em agosto, representando um aumento de 10,9% em relação a julho e de 51% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Essa participação chinesa corresponde a 22,4% do total das exportações de agosto.

As compras de alimentos pela Liga Árabe caíram 5,2% em agosto, totalizando US$ 838,4 milhões. A União Europeia também registrou uma diminuição nas importações, com um valor de US$ 657 milhões, indicando uma queda de 14,8% em relação a julho e de 24,6% em relação a agosto de 2024.

Em relação ao acumulado do ano, entre janeiro e julho de 2025, as exportações totais somaram US$ 36,44 bilhões, apresentando uma leve queda de 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, em função da redução na produção de açúcar.

No segmento de suco de laranja, que não foi afetado pelas tarifas, houve crescimento de 6,8% em agosto comparado ao ano anterior, embora tenha havido uma diminuição de 11% em relação a julho, devido à antecipação nos embarques.

No que diz respeito ao emprego no setor alimentício, em julho, foram registrados 2,114 milhões de postos de trabalho diretos. Comparado ao ano anterior, isso representa a criação de 67,1 mil novas vagas, um crescimento de 3,3%. Ao longo do ano, foram gerados 39,7 mil novos empregos diretos e mais 159 mil oportunidades na cadeia produtiva abrangendo agricultura, pecuária, embalagens, entre outros setores.

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