quarta-feira, abril 1, 2026
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Proprietário do Banco Master e ex-presidente do BRB prestam depoimentos à PF nesta terça-feira

A investigação sobre uma fraude bilionária ligada ao Banco Master avança nesta terça-feira (30) com depoimentos do proprietário do Master, Daniel Vorcaro; do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa; e do diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino.

As oitivas serão colhidas pela Polícia Federal no prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, a partir das 14h. Elas integram um inquérito no STF que apura as negociações envolvendo a venda do Banco Master ao BRB.

O BRB manifestou interesse em adquirir o Master pouco antes de o Banco Central decretar a falência extrajudicial da instituição, em um contexto de dúvidas sobre a sustentabilidade do negócio. Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do BRB por determinação judicial.

Em novembro, o ex-presidente do BRB e o dono do Master foram alvos da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos. As apurações apontam para fraudes que podem alcançar cerca de R$ 17 bilhões em títulos forjados.

As oitivas foram determinadas pelo ministro do STF Dias Toffoli e ocorrerão de forma individual. Inicialmente foi prevista uma acareação entre os investigados, mas o ministro decidiu que esse confronto só deverá ocorrer se a Polícia Federal entender ser necessário. A acareação é o procedimento em que envolvidos são colocados frente a frente para esclarecer versões contraditórias.

Embora o diretor de Fiscalização do BC não conste como investigado, o ministro considerou seu depoimento de especial relevância dada a função do Banco Central na fiscalização das operações do mercado financeiro.

A defesa de Daniel Vorcaro informou que não vai comentar o depoimento em função do sigilo no processo. A defesa de Paulo Henrique Costa também afirmou que não se manifestará antes da oitiva. O Banco Central não divulgou posicionamento sobre o depoimento de seu diretor.

Contexto das negociações

Em março, o BRB anunciou intenção de comprar o Banco Master por R$ 2 bilhões, quantia apresentada como equivalente a cerca de 75% do patrimônio consolidado do Master. A negociação atraiu atenção do mercado e das autoridades diante de suspeitas sobre a atuação do banco alvo.

No início de setembro, o Banco Central rejeitou a operação de compra proposta pelo BRB. Em novembro, a autoridade regulatória decretou a falência extrajudicial do Banco Master.

Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero decorre de investigações iniciadas pela Polícia Federal em 2024 para apurar a emissão de títulos de crédito falsos. Segundo os autos, instituições suspeitas teriam criado operações de crédito simuladas — empréstimos e valores a receber fictícios — e negociado essas carteiras com outros bancos.

Após aprovação contábil pelo Banco Central, as entidades teriam substituído os créditos e títulos fraudulentos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. O Banco Master figura como principal alvo do inquérito aberto a pedido do Ministério Público Federal.

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