Após quase duas semanas de chuvas ininterruptas, os habitantes de Jaguari, no Rio Grande do Sul, puderam ver o sol novamente na manhã desta segunda-feira, 23 de outubro. Localizada a cerca de 400 quilômetros de Porto Alegre, a cidade, que conta com aproximadamente 11 mil moradores, foi uma das mais afetadas pelos temporais recentes, sendo a única no estado a declarar estado de calamidade pública.
O prefeito Igor Tambara informou que as equipes técnicas estão trabalhando para avaliar a extensão dos danos, que se mostram alarmantes, especialmente nas áreas rurais. Ele destacou que a situação é a mais grave enfrentada pela cidade nas últimas quatro décadas, superando os problemas ocorridos em 2024.
O nível do Rio Jaguari, que subiu significativamente, provocou uma cheia devastadora. Segundo o prefeito, muitas pontes e estradas de acesso foram destruídas, e cerca de 80% das estradas rurais estão intransitáveis. Na zona urbana, residências centralizadas enfrentaram a entrada de água, com acúmulo de quase um metro de areia após a retirada do líquido.
A tragédia deixou pelo menos 300 imóveis danificados, forçando moradores a abandonarem suas casas. Entre desalojados e desabrigados, a estimativa é de que cerca de 1,2 mil pessoas precisaram se deslocar. Contudo, o número exato pode ser maior, pois muitas pessoas se deslocam para a casa de familiares ou amigos sem que a Defesa Civil registre.
Os técnicos da prefeitura estão avaliando um custo mínimo de R$ 20 milhões para reparar a infraestrutura danificada e oferecer auxílio emergencial às famílias afetadas. O valor considera a necessidade de reconstruir pontes, bueiros e estradas destruídas, entre outros. O município busca apoio dos governos estadual e federal para viabilizar a recuperação.
Além da reconstrução, o prefeito mencionou a necessidade de implementar medidas preventivas, como a construção de diques e o desassoreamento do rio, visando evitar futuras inundações.
Em todo o estado, 132 dos 497 municípios notificaram a Defesa Civil sobre danos relacionados às chuvas dos últimos dias. Até o momento, confirmaram-se quatro mortes em diferentes cidades e a busca por um homem desaparecido em Candelária continua. A Defesa Civil estadual contabiliza mais de 6.258 desalojados e 1.071 desabrigados.
Um novo sistema de enfrentamento de chuvas segue ativo na Região Sul, podendo provocar mais temporais no Rio Grande do Sul e no Paraná. A previsão de frio intenso e geadas se estende às regiões de Mato Grosso do Sul e São Paulo até o final do dia 24 de outubro.



