A Polícia Civil de São Paulo cumpriu, na manhã desta quarta-feira (18), mandado de prisão contra o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto. A ordem foi cumprida na residência do oficial em São José dos Campos. Ele será encaminhado ao 8º Distrito Policial, na zona leste de São Paulo.
O tenente-coronel foi indiciado por feminicídio e fraude processual na investigação da morte da companheira, a soldado Gisele Alves Santana. Gisele foi encontrada com um disparo na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava. Na ocasião, o oficial estava no local e acionou socorro, registrando inicialmente o caso como suicídio; o registro posterior foi alterado para morte suspeita. A família da vítima contestou desde o início a versão de suicídio.
Laudos do Instituto Médico Legal (IML) apontaram lesões contundentes no rosto e na região cervical de Gisele. As marcas foram descritas como resultado de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal (causada por unha). Um laudo posterior, datado de 7 de março, foi elaborado um dia após a exumação do corpo. O primeiro laudo necroscópico, emitido em 19 de fevereiro, já registrava lesões na face e no pescoço, no lado direito.
Em depoimento, uma testemunha vizinha relatou ter ouvido um disparo às 7h28 do dia do ocorrido. O Copom só foi acionado pelo tenente-coronel às 7h57, segundo registros, indicando um intervalo de quase meia hora entre o suposto disparo e a solicitação de socorro.
Fotos feitas por socorristas mostram a vítima com a arma na mão. Além disso, consta nos autos que três policiais mulheres compareceram ao apartamento do casal para realizar limpeza nas horas seguintes ao atendimento; a presença delas foi confirmada em depoimentos.



