O governador Cláudio Castro anunciou o retorno do deputado estadual Rafael Picciani (MDB-RJ) à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A medida ocorre após a prisão do deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, que foi detido na manhã de hoje (3) em uma operação conjunta das polícias Federal e Civil, juntamente com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
A prisão de TH Joias aconteceu em sua residência, situada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. Ele é suspeito de estar envolvido na compra e venda de armas para o Comando Vermelho, a principal facção criminosa do estado. Além dele, também foram presos Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor de TH Joias, e mais cinco indivíduos, incluindo um delegado da PF e três policiais militares. Ao todo, a operação resultou na detenção de oito pessoas.
O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, forneceu detalhes sobre a denúncia apresentada à Justiça contra TH Joias e outros três investigados, que agora devem responder por crimes relacionados à organização criminosa e ao comércio ilegal de armas. A legislação determina que a investigação continue, especialmente para apurar indícios de vazamentos e tentativas de fuga que ocorreram antes da operação.
As investigações também estão focadas em desvio de recursos e lavagem de dinheiro. O MPRJ está examinando uma franquia de loja no Mato Grosso do Sul, suspeita de ser utilizada para ocultar dinheiro por meio de operações financeiras incompatíveis com os serviços prestados. Indicativos de corrupção foram identificados, incluindo a suposta oferta de propina a agentes da lei.
Antonio Moreira enfatizou a necessidade de ações preventivas para impedir que pessoas com envolvimento em atividades criminosas consigam candidatar-se a cargos públicos, solicitando investigações mais rigorosas antes das eleições. As investigações foram conduzidas sob a supervisão da Procuradoria-Geral de Justiça, que é responsável pela ação penal devido à imunidade parlamentar do deputado.
Após a detenção, o deputado será submetido a uma audiência de custódia para verificar a legalidade da prisão, e a Alerj será formalmente comunicada, pois tem a prerrogativa de decidir sobre a manutenção ou revogação da prisão.
As acusações de envolvimento do deputado em atividades ilícitas incluem atuação nos Complexos da Maré e do Alemão e na comunidade de Parada de Lucas, intermedindo o tráfico de drogas e armas. O MPRJ sustenta que TH Joias utilizou seu mandato para benefício da organização criminosa, designando aliados para posições na Alerj e participando diretamente de transações ilícitas.



