quarta-feira, março 25, 2026
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Petro sugere que Equador lançou bombas na Colômbia; Noboa nega envolvimento

Os atritos entre Colômbia e Equador se agravaram após acusações de ataques transfronteiriços e a subsequente negativa do governo equatoriano. A disputa elevou a tensão diplomática e ampliou um histórico recente de medidas econômicas e militares entre os dois países.

Na segunda-feira (16), o presidente da Colômbia alegou a ocorrência de bombardeios vindos do território equatoriano e afirmou haver uma gravação relacionada ao episódio. Ele também informou ter mantido contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pediu investigação sobre os incidentes. Na terça-feira (17), o governo do Equador descartou qualquer operação em solo colombiano e anunciou que as ações militares realizadas visam alvos dentro de seu próprio território, como parte do combate a grupos ligados ao tráfico.

A resposta equatoriana incluiu acusações contra a Colômbia por suposta tolerância a integrantes de organizações criminosas que teriam se instalado no lado equatoriano da fronteira. Quito afirmou estar realizando bombardeios contra esconderijos usados majoritariamente por cidadãos colombianos, segundo comunicados oficiais.

O episódio intensifica uma deterioração das relações iniciada nas últimas semanas, quando o Equador aplicou um aumento de 30% nas tarifas de importação de produtos colombianos no início de fevereiro, medida classificada por Quito como taxa de segurança. Em retaliação, a Colômbia suspendeu o fornecimento de energia elétrica ao Equador e impôs uma tarifa de 30% sobre 70 produtos provenientes do país vizinho.

Paralelamente, o Equador tem estreitado laços de segurança com os Estados Unidos no âmbito da luta contra o narcotráfico. O governo equatoriano passou a qualificar certas organizações criminosas como equivalentes a grupos terroristas e tem firmado acordos de cooperação com Washington. Recentemente, Quito abriu a primeira sede oficial do FBI no país e aprovou acordos para operações conjuntas em território equatoriano, além de decretos sucessivos de estado de emergência e toques de recolher.

Uma proposta de autorização para instalação de uma base militar estrangeira foi submetida à população equatoriana e rejeitada por cerca de 60% dos votos. Mesmo assim, o aprofundamento da cooperação com os EUA segue em andamento.

No campo político interno do Equador, o Tribunal Eleitoral suspendeu por nove meses o registro do principal partido de oposição, Revolução Cidadã, em meio a uma investigação por suposta lavagem de dinheiro. A suspensão pode comprometer a participação da legenda nas eleições locais previstas para 2027. A candidata derrotada nas eleições de 2025, ligada ao partido, também está sob investigação por suposto recebimento de recursos do exterior.

No plano regional, Washington tem aumentado a presença militar e a cooperação com vários países da América Latina, alegando a necessidade de combater cartéis de drogas e reduzir a influência econômica de atores externos como China e Rússia. Essas iniciativas vêm sendo justificadas como parte de uma estratégia de segurança nacional dos EUA que retoma princípios históricos de influência norte-americana na região.

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