segunda-feira, março 30, 2026
InícioMundoPesquisador alerta: Big Techs contribuem para a máquina de guerra dos EUA

Pesquisador alerta: Big Techs contribuem para a máquina de guerra dos EUA

Em junho de 2023, o Exército dos Estados Unidos anunciou a nomeação de executivos de grandes empresas de tecnologia, incluindo Meta, OpenAI e Palantir, para a patente de tenente-coronel no recém-criado Destacamento 201. A iniciativa visa integrar líderes tecnológicos ao sistema militar, promovendo uma ligação mais próxima entre as inovações tecnológicas e as forças armadas.

Recentemente, o sociólogo brasileiro Sérgio Amadeu da Silveira, em seu novo livro, critica a colaboração entre as forças armadas dos EUA e grandes empresas de tecnologia como Google, Amazon e Microsoft. O autor argumenta que a inteligência artificial (IA) está sendo utilizada em operações militares, incluindo ataques na Faixa de Gaza, e defende a necessidade de o Brasil desenvolver sua própria infraestrutura digital, reduzindo a dependência em relação a essas corporações internacionais.

O livro de Amadeu, intitulado “As big techs e a guerra total: o complexo militar-industrial-dataficado”, explora a intersecção entre tecnologia e poder militar, questionando a alegação de neutralidade das empresas de tecnologia e a sua integração nas estratégias militares dos EUA. Ele menciona contratos significativos entre o governo americano e essas empresas, destacando o projeto Maven do Google.

Além disso, o lançamento da Nuvem Soberana, uma iniciativa do governo brasileiro em parceria com o Serpro e a Dataprev, foi realizado em 7 de setembro com o objetivo de armazenar dados públicos em uma infraestrutura sob controle estatal, embora ainda utilize tecnologia de empresas estrangeiras. Amadeu considera isso um progresso, mas argumenta que não é suficiente em face das ameaças trazidas por interesses externos.

O sociólogo também enfatiza os riscos que a dependência de empresas tecnológicas pode acarretar, especialmente em setores estratégicos, como saúde e educação. Ele alerta que essas parcerias podem expor dados sensíveis a vulnerabilidades, citando preocupações com a utilização de serviços de empresas estrangeiras para coleta de dados por meio de suas plataformas.

Sobre o envolvimento de grandes empresas no setor de defesa brasileiro, Amadeu menciona uma recente parceria entre o governo e a Amazon para serviços relacionados à defesa, destacando as implicações de ter infraestrutura militar dependente de empresas com laços diretos ao governo dos EUA.

Por fim, o sociólogo sugere que o Brasil deve estabelecer sua soberania digital, garantindo que dados públicos não sejam controlados por empresas estrangeiras, e reforça a importância de desenvolver uma infraestrutura própria e autônoma, capaz de suportar suas necessidades tecnológicas sem comprometer a segurança nacional.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES